Milton Santos refletiu sobre a realidade dos países pobres
Resumo
No marco do seu centenário, geógrafo é lembrado por conceitos que ajudaram a repensar o espaço
Considerado um dos maiores geógrafos brasileiros, Milton Santos completaria 100 anos em maio. “Com suas análises sobre as desigualdades sociais e territoriais, ele foi decisivo no movimento de renovação do pensamento geográfico nos anos 1970 no Brasil”, afirma a geógrafa Maria Adélia de Souza, professora aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) e parceira intelectual do pesquisador baiano. “Uma de suas principais contribuições foi definir o espaço geográfico como instância da sociedade.”
O conceito está no livro Por uma geografia nova (Hucitec/Edusp, 1978), no qual defende a necessidade de estabelecer um objeto para a disciplina (no caso, o espaço geográfico) e que ele fosse tão importante quanto a economia e a cultura. “Ele foi aprimorando essa ideia ao longo de sua trajetória até chegar ao ápice com o livro A natureza do espaço [Edusp, 1996], onde define o espaço pela indissociabilidade dos sistemas de objetos e de ações”, diz Bernardo Mançano Fernandes, geógrafo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Presidente Prudente. “Ou seja, as pessoas, as técnicas e as coisas produzem o espaço e são produzidas pelo espaço. Isso supera a definição clássica de espaço como sendo apenas área e superfície.”