Resumo

A insatisfação corporal refere-se ao descontentamento com a própria imagem e aparência física. O ideal de corpo magro como padrão de beleza contribui para que as mulheres experimentem uma pressão pouco realista sobre sua forma física após o parto, fazendo com que esse período esteja associado à insatisfação corporal. Para compreender a contribuição das pressões socioculturais na imagem corporal em mulheres um modelo teórico amplamente utilizado é Modelo de Influência dos Três Fatores, que foi adaptado por Lovering et al. (2018) especificamente para o pós-parto. No melhor do nosso conhecimento, nenhum modelo teórico foi avaliado para compreender como as pressões socioculturais podem estar relacionadas à insatisfação corporal e ao desenvolvimento de comportamentos de risco para transtornos alimentares entre mulheres brasileiras nesse período. Diante disso, o estudo apresenta dois objetivos principais: 1) realizar uma revisão sistemática da literatura a fim de identificar modelos teóricos que avaliassem a imagem corporal no período pósparto, bem como estudos que utilizaram análises de regressão para verificar sua associação a construtos relevantes; 2) adaptar e avaliar um modelo teórico de imagem corporal para mulheres brasileiras no pós-parto. Para o modelo teórico, mulheres adultas de até 12 meses após o parto de diferentes regiões do Brasil responderam, de forma virtual, a um questionário sociodemográfico e um conjunto de medidas para avaliação das variáveis: influência dos pais, influência dos amigos, influência da mídia, influência dos pares românticos, internalização, comparação social, insatisfação corporal, depressão, ansiedade, autoestima e comportamentos de risco para transtornos alimentares. O modelo teórico proposto foi testado por meio da Modelagem de Equações Estruturais (SEM). Os resultados da tese estão apresentados em formato de dois artigos. O primeiro trouxe em seus desfechos a identificação de três modelos teóricos e destacaram influências socioculturais, apoio social e amamentação como determinantes-chave da insatisfação corporal. E, a partir das análises de regressão, foram identificadas associações entre imagem corporal e peso materno, depressão, modo de parto, função sexual, amamentação e apoio social. O segundo artigo propôs um modelo teórico que incorporou algumas das variáveis previamente identificadas, bem como outras dimensões relevantes apontadas na literatura. Conclui-se que pressões socioculturais contribuem para o desenvolvimento da insatisfação corporal, a qual se configura como um fator central na explicação dos desfechos psicossociais investigados. Espera-se que esta pesquisa contribua para a compreensão de como pressões socioculturais podem estar relacionadas ao desenvolvimento de insatisfação corporal e à adoção de comportamentos de risco para transtornos alimentares em mulheres brasileiras no pós-parto, considerando fatores relacionados à saúde mental materna como sintomas de depressão, de ansiedade e autoestima.

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