Resumo

Esta tese tem por objetivo analisar as respostas autonômicas cardíacas, desempenho motor e níveis de recuperação de jogadores de futebol com paralisia cerebral, durante fases de treinamento e competições internacionais. A pesquisa foi dividida em três estudos: 1) o primeiro estudo tem por objetivo analisar as respostas da modulação autonômica cardíaca e o efeito no desempenho em testes motores durante período de preparação. Sete jogadores da seleção brasileira de futebol PC foram monitorados durante quinze semanas, compostas de quatro fases de treinamento com o máximo de duas sessões por dia. Foram analisadas a variabilidade da frequência cardíaca (VFC), cargas de treinamentos e desempenho em testes motores pré e pós período de preparação. Os resultados apontaram pequeno aumento da distância percorrida no teste do Yoyo IRTL1 e decréscimo nos índices autonômicos cardíaco. Através dos resultados podemos concluir que o prolongado período de baixa carga entre as fases de treinamento induziram a redução das adaptações do treinamento ou até mesmo a reversão, o que ocasionou na diminuição dos índices parassimpáticos abaixo dos níveis iniciais. 2) o segundo estudo analisou as alterações da VFC e níveis de recuperação durante competição de nível mundial. Foram analisadas a variabilidade da frequência cardíaca (lnRMSSD) em repouso, carga interna e questionários de recuperação e bem-estar de quatorze jogadores. Os resultados do grupo apontaram aumento da carga interna e diminuição de lnRMSSDcv de acordo com o avanço das fases da competição e diminuição nos níveis de recuperação nas partidas na fase eliminatória. Neste sentido, concluimos que durante o período competitivo com calendário congestionado, o grupo apresentou adaptação positiva às demandas da competição, visto a diminuição de lnRMSSDcv. No entanto, os níveis de recuperação perceptiva, principalmente dos jogadores que atuaram, foram influenciados com o aumento das exigências das partidas na fase eliminatória da competição causando a diminuição dos níveis de recuperação e aumento nos índices do bem-estar. 3) Já o terceiro estudo buscou analisar e interpretar as alterações diárias da VFC e questionários de recuperação perceptiva, por grupo e individualmente, durante jogos parapanamericanos. Onze jogadores foram monitorados durante treze dias consecutivos, com registros da VFC, questionários de recuperação perceptiva e carga interna. Os resultados indicaram não haver alterações na VFC entre as fases da competição, maiores níveis de estresse foram encontrados na fase de treinamentos, maiores valores de carga interna na fase congestionada de partidas, piora nos índices de bem-estar e maior carga interna para os jogadores que tiveram maior percentual de atuação nas partidas. Através deste estudo podemos concluir que os jogadores reagiram positivamente as demandas da competição, sem alterações negativas na VFC mediante ao calendário congestionado de partidas, além disto, análise diária e individualizada sugere que fatores externos as demandas da competição podem ter influenciado nas respostas autonômicas cardíacas.

Disponível em http://www.repositorio.unicamp.br/

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