Mosteiro dos Jerónimos e o imperialismo ecológico artístico ocidental
Por Marcelo Nivert Schlindwein (Autor), Yara Aparecida Couto (Autor), Monica Mesquita (Autor).
Resumo
Este estudo avaliou as representações zoomórficas e antropomórficas presentes no Mosteiro dos Jerónimos, identificando nelas elementos que refletem a influência das primeiras viagens de exploração intercontinentais, vinculadas ao modelo homogeocênico de expansão imperial. Tal análise constitui o ponto de partida para discutir os impactos desse modelo de Arte sobre as culturas do chamado “Novo Mundo”. Os efeitos desse impacto não se restringem às artes visuais, arquitetura, escultura e pintura, mas se estendem às práticas corporais, influenciando de maneira decisiva as expressões religiosas e seus sincretismos, bem como diferentes dimensões do movimento do corpo, como dança, jogos e esportes, além de outras formas de expressão que configuram a linguagem social. Para contrapor essa visão imperialista homogeocênica e hegemônica, propomos a inclusão dos estudos da Etnomotricidade na formação dos futuros educadores físicos.
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