Resumo

Contexto: A atividade física realizada no tempo de lazer oferece proteção contra o risco de morte. No entanto, a maioria dos estudos considerou apenas uma única medida de exposição ao longo da vida, e há escassez de estudos de coorte em países de baixa e média renda. Nosso objetivo foi avaliar o efeito prospectivo da atividade física no tempo de lazer e de suas mudanças sobre o risco de mortalidade entre adultos no Brasil.

Métodos: Analisamos dados de atividade física no tempo de lazer do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil). As mudanças entre a primeira onda (2008–2010) e a segunda onda (2012–2014) foram avaliadas por meio do Questionário Internacional de Atividade Física. Os dados de mortalidade foram atualizados em 1º de janeiro de 2024. A regressão de Cox foi utilizada para estimar as razões de risco (HR).

Resultados: No total, 13.589 indivíduos apresentaram dados válidos de atividade física em ambas as ondas. A idade média na linha de base foi de 52,2 anos (9,1), variando de 34 a 75 anos. Foram registrados 553 óbitos, com uma taxa bruta de mortalidade de 3,3 por 1000. O tempo médio de acompanhamento para o risco de morte foi de 12 anos. O risco de morte foi menor entre indivíduos que:

  1. apresentaram níveis elevados de atividade física moderada a vigorosa na onda 1 e mantiveram ou aumentaram esses níveis na onda 2 (HR = 0,59; IC 95%: 0,37–0,92);

  2. passaram a praticar atividade física vigorosa na onda 2 (HR = 0,47; IC 95%: 0,32–0,70);

  3. mantiveram ou aumentaram seus níveis de caminhada (HR = 0,75; IC 95%: 0,57–0,99),
    em comparação com aqueles inativos em ambas as ondas.

Conclusões: Observamos um maior efeito protetor da atividade física vigorosa sobre o risco de mortalidade. No entanto, manter a prática de caminhada no tempo de lazer também esteve associado a um menor risco de morte. A realização de atividade física acima do limiar recomendado pode proporcionar benefícios adicionais.

 

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