Mudanças na atividade física no tempo de lazer e mortalidade por todas as causas no Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil)
Por Natan Feter (Autor), Danilo de Paula (Autor), Rodrigo Citton P. dos Reis (Autor), Rosane Harter Griep (Autor), Sandhi Maria Barreto (Autor), Franciso José Gondim Pitanga (Autor), Sheila Maria Alvim de Matos (Autor), Maria da Conceição Chagas de Almeida (Autor), Maria del Carmen Bisi Molina (Autor), Bruce B. Duncan (Autor), Maria Inês Schmidt (Autor).
Resumo
Contexto: A atividade física realizada no tempo de lazer oferece proteção contra o risco de morte. No entanto, a maioria dos estudos considerou apenas uma única medida de exposição ao longo da vida, e há escassez de estudos de coorte em países de baixa e média renda. Nosso objetivo foi avaliar o efeito prospectivo da atividade física no tempo de lazer e de suas mudanças sobre o risco de mortalidade entre adultos no Brasil.
Métodos: Analisamos dados de atividade física no tempo de lazer do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil). As mudanças entre a primeira onda (2008–2010) e a segunda onda (2012–2014) foram avaliadas por meio do Questionário Internacional de Atividade Física. Os dados de mortalidade foram atualizados em 1º de janeiro de 2024. A regressão de Cox foi utilizada para estimar as razões de risco (HR).
Resultados: No total, 13.589 indivíduos apresentaram dados válidos de atividade física em ambas as ondas. A idade média na linha de base foi de 52,2 anos (9,1), variando de 34 a 75 anos. Foram registrados 553 óbitos, com uma taxa bruta de mortalidade de 3,3 por 1000. O tempo médio de acompanhamento para o risco de morte foi de 12 anos. O risco de morte foi menor entre indivíduos que:
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apresentaram níveis elevados de atividade física moderada a vigorosa na onda 1 e mantiveram ou aumentaram esses níveis na onda 2 (HR = 0,59; IC 95%: 0,37–0,92);
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passaram a praticar atividade física vigorosa na onda 2 (HR = 0,47; IC 95%: 0,32–0,70);
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mantiveram ou aumentaram seus níveis de caminhada (HR = 0,75; IC 95%: 0,57–0,99),
em comparação com aqueles inativos em ambas as ondas.
Conclusões: Observamos um maior efeito protetor da atividade física vigorosa sobre o risco de mortalidade. No entanto, manter a prática de caminhada no tempo de lazer também esteve associado a um menor risco de morte. A realização de atividade física acima do limiar recomendado pode proporcionar benefícios adicionais.