Mulheres Futebolistas no Brasil: constantes disputas por reconhecimento e atuação profissional
Por Thaís Rodrigues de Almeida (Autor), Caroline Soares de Almeida (Autor), Carmen Silvia de Moraes Rial (Autor).
Em XIX Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
No Futebol praticado por mulheres no Brasil, observamos a constante busca por reconhecimento e valorização profissional. Além da modalidade ter ficado proibida por quase quarenta anos às brasileiras, nos demais cargos ou ocupações que permeiam o universo futebolístico como: a organização, direção, cargos técnicos e produção de conteúdos, ainda se constata substancial diferença numérica que segue privilegiando os homens. Apesar de atualmente estarmos em um contexto em que as mulheres obtiveram avanços no meio esportivo do futebol como: igualdade de prêmios e salários entre as seleções, aumento das árbitras nos quadros das federações, espaço de visibilidade em canais da televisão aberta a jogos, maior incentivo aos campeonatos, entre outros fatores, seguem ocorrendo comportamentos agressivos contrários a esse processo. Neste trabalho, tomamos como exemplo dos casos de assédio, xingamentos, agressões físicas, menosprezos o referencial de que em situações extremas, como as que vivemos durante a pandemia por Covid-19, mais uma vez a conduta profissional das mulheres futebolistas foi desvalorizada. O caso que analisamos ocorreu em junho de 2020, na ocasião, o presidente do Esporte Clube Vitória (BA), Paulo Carneiro, havia se negado a repassar o valor encaminhado pela Confederação Brasileira de Futebol às jogadoras do clube. A justificativa era que a verba, mesmo como auxílio às futebolistas, seria melhor empregada para sanar dívidas do futebol masculino. Paulo Carneiro ainda declarou que o incentivo ao futebol feminino era demagogia, o associando a uma “politicagem” comunista. A partir dos elementos apresentados, o objetivo desta proposta é discutir as representações de mulheres profissionais do futebol no decorrer do desenvolvimento desse esporte no país, assim como o reflexo dessa construção e desafios presentes na atualidade. Para tanto, sustentamos nossas análises no olhar antropológico para as práticas esportivas e na perspectiva dos estudos de gênero. Pontuamos que, apesar do futebol de mulheres ter obtido avanços e visibilidade, permanece enquanto um território de lutas e vigilância por reconhecimento, valorização e resistência, ante as diferentes formas de violência direcionadas às mulheres envolvidas neste universo.