Mulheres pesquisadoras no paradesporto e os desafios para romper o telhado de vidro
Por Fatima Fernades (Autor), Juliana Soares (Autor), Miriam Raquel Meira Mainenti (Autor), Ruth Cidade (Autor).
Em Revista da Associação Brasileira de Atividade Motora Adaptada - SOBAMA v. 26, n 2, 2025.
Resumo
A equidade de gênero na pesquisa acadêmica é essencial para a diversidade científica, mas mulheres ainda enfrentam barreiras estruturais, especialmente no campo do Paradesporto. O presente estudo tem como objetivo analisar os desafios enfrentados pelas mulheres pesquisadoras no Paradesporto, tendo como referência a noção do telhado de vidro. Para isso, foi utilizada uma abordagem qualitativa, baseada em revisão da literatura, sendo examinadas publicações sobre gênero, deficiência e esporte. Também foi realizada uma busca simples no diretório de grupos de pesquisa da plataforma nacional, para uma análise quantitativa dos líderes dos grupos. Os resultados indicam que a interseção entre essas categorias é pouco explorada na produção científica, predominando estudos conduzidos por homens. Dentre os 38 grupos encontrados, 23 apresentaram líderes do gênero masculino (60,5%), 13 do gênero feminino (34,2%) e 2 com líderes masculino e feminino (5,3%). A pesquisa revela que a sub-representação feminina na área da pesquisa do Paradesporto não se limita às atletas e técnicas, mas também afeta a consolidação de pesquisadoras nesse campo. A ausência de políticas de incentivo e financiamento para mulheres pesquisadoras contribui para essa desigualdade. Iniciativas como redes de colaboração entre pesquisadoras e ações afirmativas são sugeridas como estratégias para fortalecer a participação feminina e promover maior equidade na produção do conhecimento sobre o Paradesporto. Conclui-se que há necessidade urgente de ampliar estudos interseccionais que considerem gênero e deficiência no esporte, bem como garantir suporte institucional para mulheres que produzem conhecimento.
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