Integra
Não, não me revejo em caudilhos e populismos, distribuidores de ilusões messiânicas e fragilizadoras das instituições estatais e sociais; e, assim, arruinadoras dos lídimos ideais da democracia e da liberdade e impossibilitadoras da realização de princípios e direitos humanistas e civilizacionais.
Porém tenho memória. A ganância ilimitada, a violência sistémica, a rapina contumaz, a pirataria, a matança, o esmagamento e o saque são imanentes ao teu ADN. Lembro-me de que lançaste bombas atómicas sobre cidades com populações indefesas e sem alvos militares. Invadiste países adrede, fomentaste golpes de estado, derrubaste governos e impuseste ditaduras sangrentas. E constato, com desolação, que não mudaste nada. És a reedição da pior escuridão do passado, do colonialismo selvático. Podias ter herdado de Roma o direito; preferiste apropriar o espetáculo degradante de fazer desfilar na Via Ápia, como troféus, os prisioneiros das tuas caçadas hediondas. E refinaste o hábito de angariar traidores e de os deitar fora quando já não têm préstimo para o teu projeto.
Do alto da tua soberba ignoras que os impérios caem não por falta de poder, mas devido à insensibilidade ao mau uso que dele fazem. Eis onde te encontras. Falas a linguagem da delinquência, naturalizaste o crime e orgulhas-te de praticar o gangsterismo. Tens pacto com a morte e desprezas as vidas. És arrogante, cruel, feia, grotesca, medonha, prepotente e repelente, América! Sei que não te importas com a imagem. Não gostas de inspirar admiração e respeito; deleitas-te em suscitar aversão e medo. O resultado da deriva e loucura é evidente: não possuis mais amigos entre a gente civilizada, moldada pela decência e ombridade; todos desconfiam de ti. Um dia o teu poderio soçobrará; e o mundo respirará de alívio.
06.01.2026
Jorge Bento