Resumo

Este ensaio nasce do incômodo - um daqueles que se instalam devagar, quase sem aviso, mas que, uma vez percebidos, já não permitem o retorno à indiferença. Trata-se de uma inquietação cultivada na leitura atenta de dissertações, teses e artigos, mas também nos corredores da universidade, nas conversas com orientandas(os) e nos manuscritos avaliados a pedido de comissões editoriais e agências de fomento. Ao longo desse percurso, tornou-se difícil ignorar um traço recorrente: a fragilidade argumentativa que atravessa parte significativa da produção acadêmica sobre o ensino da Educação Física. Não se trata de apontar culpadas(os), tampouco de defender um ideal normativo de ciência. A reflexão aqui proposta parte do princípio de que toda produção de conhecimento carrega marcas de seu tempo, de suas influências, de suas limitações. No entanto, quando a análise se afasta dos dados, quando a interpretação se apoia em convicções prévias ou quando a escrita cede à tentação da retórica em detrimento da consistência, há algo que precisa ser dito.

 

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