Resumo

Apresento neste ensaio a perspectiva indígena de Bem Viver como possível anúncio para desconstrução de aspectos coloniais que persistem em moldar de modo exploratório as relações entre seres humanos e meio ambiente, haja vista que cada vez mais tem se propagado sob o horizonte do Planeta Terra um véu de devastação e destruição pelo estímulo desenvolvimentista. Recorro à ecologia dos saberes para pautar um pensamento que renuncie a lógica de apropriação e violência empregada na anulação da diversidade epistêmica dos conhecimentos de diversos povos. Como anúncio, me valho de perspectivas indígenas frente aos sonhos como possibilidade de outro entendimento sobre a vigília, em virtude de neles serem transfigurados os contatos despertos com o mundo, transformando experiências e dotando as dinâmicas sociais com profundos significados.

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