Resumo

Este trabalho analisa a relação epistemológica entre a educação física e a fisioterapia, identificando suas tensões disciplinares e seu potencial para integração interdisciplinar em torno do corpo em movimento como objeto de estudo comum. Propõe uma leitura crítica de ambas as disciplinas que problematiza a complementaridade técnica frequentemente atribuída a elas, compreendendo-as, em vez disso, como discursos científicos, pedagógicos e políticos que convergem para um objeto de estudo comum. De uma perspectiva epistemológica, a hegemonia do positivismo fomentou uma fragmentação do conhecimento que limita a reflexão crítica, promovendo o reducionismo biomédico na fisioterapia e abordagens técnico-esportivas na educação física. Historicamente, a educação física tem oscilado entre concepções mecanicistas do corpo e esforços inovadores como habilidades psicomotoras, praxeologia motora e abordagens crítico-socioculturais. Ambas as disciplinas compartilham uma crise de fundamentos, uma tensão persistente entre teoria e prática e a pressão pela profissionalização. Superar essas limitações exige avançar em direção a modelos transdisciplinares baseados no pensamento complexo, integrando as dimensões biológica, pedagógica, social e cultural do movimento humano. Nesse contexto, a interdisciplinaridade deve promover a construção de novas categorias analíticas capazes de abordar problemas contemporâneos relacionados à saúde, à educação e ao bem-estar. O diálogo entre fisioterapia e educação física é proposto como uma oportunidade para gerar práticas emancipatórias em que o corpo seja compreendido como um território de saberes e direitos, articulando intervenção técnica, reflexão crítica e compromisso sócio-histórico.

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