O exercício físico isolado ou combinado com ômega-3 modula a periodontite apical induzida em ratos.
Por Ana Paula Fernandes Ribeiro (Autor), Michely de Lima Rodrigues (Autor), Caroline Loureiro (Autor), Nathalia Evelyn da Silva Machado (Autor), Cristiane Cantiga-Silva (Autor), Pedro Henrique Chaves de Oliveira (Autor), Lucino Tavares Angelo Cintra (Autor), Rogério Castilho Jacinto (Autor).
Resumo
A periodontite apical (PA) resulta da contaminação bacteriana do tecido pulpar, sendo sua progressão fortemente influenciada pela resposta imunológica do hospedeiro. Este estudo teve como objetivo avaliar o impacto do exercício físico moderado, isoladamente ou combinado com a suplementação de ômega-3, sobre a PA induzida em ratos. A análise concentrou-se no perfil imunoinflamatório, na presença bacteriana no canal radicular e na região apical, na perda óssea e na produção de fibras colágenas.
Trinta ratos Wistar foram divididos em três grupos: Controle, Exercício Físico (EF) e Exercício Físico + Ômega-3 (EFO). A suplementação de ômega-3 foi administrada por gavagem durante 60 dias. O protocolo de natação incluiu duas etapas: adaptação ao ambiente aquático e treinamento de natação. A PA foi induzida no 30º dia, e os ratos foram eutanasiados no 60º dia. Os molares superiores foram processados e corados com hematoxilina e eosina (H&E), Brown e Brenn (BB), Picrosirius Red (PSR) e submetidos à imuno-histoquímica para IL-17, TNF-α e fosfatase ácida resistente ao tartarato (TRAP). Também foi realizada análise microtomográfica.
Os escores das análises foram avaliados por meio dos testes de Kruskal–Wallis, Tukey, Shapiro–Wilk, Mann–Whitney e ANOVA de uma via, com nível de significância de 5% (p < 0,05). O grupo controle apresentou a maior intensidade de infiltrado inflamatório (p < 0,05). O EF isolado reduziu a imunomarcação de TNF-α e limitou a disseminação bacteriana (p < 0,05). Quando combinado com a suplementação de ômega-3, o EF reduziu ainda mais a imunomarcação de IL-17 e aumentou a porcentagem de fibras colágenas imaturas birrefringentes (p < 0,05). A análise microtomográfica revelou menores áreas de perda óssea alveolar nos animais submetidos ao EF (p < 0,05). O grupo controle apresentou número significativamente maior de células TRAP-positivas (p < 0,05).
Em conclusão, o EF isolado potencializou os mecanismos de defesa ao reduzir a inflamação por meio da modulação do TNF-α e do controle da contaminação bacteriana. Quando associado à suplementação de ômega-3, o EF promoveu melhora adicional na regulação inflamatória, modulando os níveis de IL-17, reduzindo a perda óssea e estimulando a produção de colágeno, o que contribuiu para a limitação do processo inflamatório e a diminuição da atividade osteoclástica.