Resumo
Partimos do pressuposto que, quando imagens são incluídas em textos, na leitura desses a produção de sentidos está associada ao funcionamento das imagens que os constituem. A partir da constatação básica de que imagens têm estado presentes e são relevantes em textos escritos, esta pesquisa objetivou: analisar como imagens participam das interpretações de licenciandos em física quando esses leem textos de divulgação científica sobre relatividade restrita; compreender como estudantes de licenciatura em física interpretam a teoria da relatividade restrita em textos de divulgação científica de autores cientistas. Para tanto, desenvolvemos uma pesquisa numa disciplina da Licenciatura em Física. Promovemos, sob determinadas condições de produção, a leitura por um conjunto de alunos em formação inicial de textos relacionados aos objetivos da pesquisa. O principal apoio teórico foi a análise do discurso iniciada na França por Michel Pêcheux. Como instrumentos para a coleta e registro das informações utilizamos: questionário; entrevista semiestruturada; respostas a questões formuladas durante as aulas; produções textuais dos estudantes e a vídeo gravação das aulas. Em nosso estudo, as imagens desempenharam um papel fundamental na produção de sentidos. Elas não foram vistas, em geral, como simples ilustrações, ou seja, não foram ocorrências sem importância, mostradas acidentalmente e utilizadas para atrair e agradar o leitor. Os resultados que obtivemos permitem afirmar que, os sentidos produzidos para imagens comumente utilizadas nas produções textuais sobre a relatividade restrita são distintos para diferentes leitores/observadores. Elas envolvem relações históricas, sociais e pedagógicas também distintas entre produtores e leitores/observadores, e possivelmente os autores, ao priorizarem determinadas imagens, consideram que os leitores estão familiarizados com elas. Admitem que sua presença nos textos de relatividade é motivo de ligação entre o mundo em que o leitor vive e o contexto histórico no qual a relatividade surgiu e que estão tentando apresentar. Por outro lado, a crença na transparência das imagens, por parte dos estudantes, faz com que elas sejam facilmente manipuladas e acabem sendo consumidas na leitura e na sala de aula. As relações que eles estabeleceram entre as imagens e os sentidos produzidos podem ser organizadas nos seguintes modos de funcionamento: a) as imagens motivam a aprendizagem; b) a imagem é um ponto de partida para a discussão de um determinado conceito/assunto; c) a imagem cumpre a função explicativa, ela dá suporte para as explicações textuais; d) a imagens funcionam como apoio nas atividades de ensino; e) as imagens auxiliam na construção de modelos mentais dos leitores, e por vezes ajudam a evitar ou reduzir más interpretações. Em geral, os estudantes estavam familiarizados com algumas delas. Por outro lado, acostumados a observá-las sem reflexão, eles acabavam esquecendo que por trás dessas imagens estava um produtor/autor e um contexto histórico. Consideramos que a recorrência constante de imagens como as de trens, réguas, relógios, plataformas e gêmeos, em textos de relatividade restrita, alerta para a necessidade de aprendermos a decodificar essas imagens.