Resumo
O presente estudo objetiva verificar qual a relação entre as ações de um Grêmio Estudantil de uma Escola Municipal de Ensino Fundamental de São Paulo e o processo de formação da cidadania dos alunos. A pesquisa teve uma abordagem qualitativa e incluiu estudos e análises de documentos legais sobre o Grêmio e da literatura, alinhada a uma pesquisa empírica na qual reuniões do Grêmio Estudantil e do Conselho de Escola foram observadas pela pesquisadora no ambiente escolar natural. Foram entrevistados o diretor da escola, a presidente do Grêmio Estudantil, a professora que acompanhou o colegiado de alunos e o professor que ajudou na implantação do mesmo por meio de roteiros semiestruturados e flexíveis. Teve como apoio teórico Apple e Beane (2001), Apple (1989, 2006), Gimeno Sacristán (1999, 2001, 2002) e Gimeno Sacristán e Pérez Gómez (1998) entre outros. Os dados revelaram que o exercício do Grêmio Estudantil em uma Escola de Ensino Fundamental de São Paulo é um espaço mais em direção à tutela pelos educadores do que para formação política no sentido de os alunos desenvolvam um processo de construção da cidadania, criticidade e autonomia para a resolução de problemas individuais ou coletivos e para intervirem politicamente, possibilitando alteração da própria realidade. Há reminiscências do regime arbitrário da década de 1960 que objetivava a desarticulação política do alunado, enfatizando atividades de esporte e recreação. Os reflexos da despolitização são sentidos por um lado, à medida que o Grêmio Estudantil não estabelece uma cultura gremista na escola, e por outro, por assumirem características próprias de uma sociedade de classes. A gestão administrativa e pedagógica da escola, sem incluir o Grêmio Estudantil como órgão instituído, expressou uma perspectiva de tutela e reprodução sem estimular a ampliação de participação política