Resumo

O Jiu-jitsu Paradesportivo é uma modalidade esportiva de combate desenvolvida para pessoas com deficiência, institucionalizada recentemente, no ano de 2014. Através do relato de paratletas da modalidade, este estudo busca apresentar a História Oral de vida desses sujeitos e entender como se constitui a experiência de ser uma pessoa com deficiência inserida no contexto desta prática, em especial, daqueles que a incorporaram em suas vidas, tornando-se paratletas. Por meio de entrevistas semiestruturadas, foi possível coletar o relato dos participantes e após, transcreve-los. A análise de conteúdo foi realizada a fim de identificar aproximações entre os discursos dos participantes e singularidades relevantes ao objeto de estudo da pesquisa. Para uma devida compreensão dos fenômenos que emergiram pelos relatos, com o intuito de fundamentar o trabalho no âmbito dos estudos sobre a deficiência, o Modelo Social de deficiência foi utilizado como referencial teórico para orientar a construção e a discussão deste estudo. Assim, entre todos os participantes foram evidenciadas questões no que se refere a opressão social enfrentada pela pessoa com deficiência, principalmente no que diz respeito a prática esportiva e participação social. O Capacitismo foi apresentado como elemento central nos relatos, ao criar ambientes impeditivos para que as pessoas com deficiência pudessem estar plenamente inseridas na prática da modalidade estudada. Tal fenômeno se mostrou presente em diferentes esferas da vida dos sujeitos entrevistados, desde a falta de preparo profissional dos professores de Jiu-jitsu para lidar com pessoas com deficiência, até mesmo na presença de uma concepção normativa de corpo esperado para um praticante da modalidade, que repele aqueles que não se enquadram em tais padrões. Tal concepção normativa é tão forte que até mesmo os próprios participantes com deficiência, em sua maioria, demonstraram não acreditar que o Jiu-jitsu pudesse ser um espaço para os mesmos. Além disso, questões de acessibilidade referentes ao acesso aos espaços de treino foram apontadas como fator impeditivo ao acesso à prática. Apesar das diversas barreiras socialmente impostas, foi possível identificar os variados benefícios que o Jiu-jitsu Paradesportivo proporciona aos paratletas em diferentes aspectos, como: melhoria da saúde física e psicológica, participação social e aspirações pessoas e/ou profissionais. Por fim, levantamos reflexões sobre o Jiu-jitsu Paradesportivo como um espaço de potencialidade para as pessoas com deficiência, uma vez que a modalidade pode promover a “superação da inclusão”, já que neste espaço, o corpo com deficiência não precisa representar uma noção de desvantagem. Ao aprender essa Arte Marcial e explorar suas capacidades individuais, técnicas podem ser adaptadas, seja para pessoas com ou sem deficiência. Para que esse processo se concretize, tornou-se evidente a necessidade da capacitação profissional por parte dos técnicos e professores, que em geral, não estão preparados para lidar com pessoas com deficiência nos espaços de treino. Somado a isso, mostrou-se necessária uma quebra de paradigma por parte dos educadores e da comunidade praticante, que devem adotar uma postura Anticapacista a fim de possibilitar adaptações e cuidados necessários para que todos possam se desenvolver na prática, sejam pessoas com ou sem deficiência.

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