Resumo

O futebol é um dos pilares da cultura brasileira, e os estádios representam espaços de lazer coletivo e sociabilidade. Contudo, para muitas mulheres, esse ambiente ainda é marcado por insegurança, assédio e deslegitimação (Rasera, 2023), reflexo de uma construção histórica que associou o esporte à masculinidade e restringiu a presença feminina (Goellner, 2005), evidenciada pela proibição do futebol feminino entre 1941 e 1979. Apesar de avanços, o machismo no esporte permanece como estrutura que influencia decisões, narrativas e relações de poder, criando ambientes hostis para torcedoras e atletas (Schultz, 2021). Pesquisas recentes indicam que a arquibancada é um espaço de disputa identitária, em que mulheres negociam pertencimento e enfrentam estereótipos e violência simbólica (Moraes, 2021). Rocha e Araújo (2021) destacam que, embora o número de torcedoras tenha crescido, a falta de políticas públicas e infraestrutura continua afastando muitas mulheres dos jogos. Diante desse cenário, este estudo analisa como as mulheres vivenciam o estádio como espaço de lazer e pertencimento, articulando gênero, políticas públicas e inclusão. Metodologia: A pesquisa, de abordagem mista e caráter exploratório-descritivo, ocorreu em duas partidas no estádio do Club Athletico Paranaense, em Curitiba, em janeiro de 2024, com acesso restrito a mulheres, crianças e pessoas com deficiência, como medida de “conversão social” após punição do TJD-PR. Participaram 270 torcedoras, selecionadas por amostragem não probabilística por conveniência, mediante critérios de inclusão (sexo feminino, idade mínima de 16 anos e presença nos jogos). Os dados foram coletados por questionário semiaberto via Google Forms, aplicado in loco por QR Code, com 14 perguntas sobre perfil, experiências e percepções.

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