O livro didático no campo da educação física escolar: auxílio pedagógico ou referência no planejamento das aulas?
Por Gabriel Kalil Sena Albuquerque Salim (Autor), Harrison de Souza Bezerra (Autor).
Resumo
Este trabalho propõe investigar quais os possíveis motivos que justificam a utilização do Livro Didático (LD) por parte dos professores de Educação Física (EF) atuantes na educação básica. Em geral, há dois grupos distintos quanto à utilização do livro: um grupo em que usa o LD como auxílio e outro que utiliza o livro como referência, conforme demonstrou Santos (2021). Isso posto, ao nos referirmos à inserção da EF no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), estamos, em essência, abordando a produção de manuais destinados ao fazer pedagógico-didático do professor. Vale destacar que a EF passou a integrar o PNLD apenas em 2019, sendo contemplada apenas na opção "manual do professor", diferentemente de todas as outras disciplinas, que foram atendidas nas três opções de materiais didáticos: a) livro do estudante impresso; b) manual do professor impresso; e c) manual do professor digital (Novaes et al., 2023). É importante enfatizar que estamos inseridos em um movimento de reestruturação das forças produtivas capitalistas, acompanhado de reformas educacionais que reconfiguram a função da escola para um novo modelo de sociabilidade. Desse contexto, a profissão docente aparece ocupando lugar de destaque, em uma perspectiva de “formar para as competências” (Saraiva; Souza, 2020). E é exatamente dessa conjuntura que a implementação do LD no campo da EF se apresenta em evidência, estritamente alinhado à aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), conforme aponta o estudo de Novaes et al. (2023).