O país do futebol (masculino): a invisibilidade das mulheres nos gramados brasileiros
Por Beatriz de Franca Alves (Autor), Daniel Machado da Conceição (Autor), Cristiano Mezzaroba (Autor).
Em Cadernos de Educação, Tecnologia e Sociedade - BRAJETS v. 19, n 1, 2026.
Resumo
Apesar dos avanços da participação feminina em diversos espaços sociais, no futebol podemos constatar que permanece como um território predominantemente masculino no Brasil. Essa assimetria é resultado de construções históricas marcadas por heteronormatividades, isto é, preconceitos de gênero, sexismo e estereótipos que associam a prática esportiva – especialmente o futebol – à virilidade, criatividade, habilidade técnica que, por fim, resumem a masculinidade. As mulheres que desafiam essa lógica seguem enfrentando barreiras estruturais, culturais e simbólicas, sendo constantemente invisibilizadas, subestimadas e pouco representadas pela mídia que prioriza o padrão de feminilidade, mesmo com o aumento significativo de sua presença e desempenho no esporte, de modo geral, e no futebol, de modo mais específico. Neste ensaio temos como objetivo identificar e discutir algumas das principais dificuldades presentes no futebol de mulheres no Brasil. Para tal exercício reflexivo, procuramos discutir sobre questões de gênero no futebol e o processo de exclusão e (in)visibilidade das mulheres no esporte. A partir da análise de artigos científicos, em especial, quanto à categoria “feminilidade” e ao fato de haverem esportes considerados como “masculinizantes”, busca-se compreender como as desigualdades de gênero impactam a trajetória das atletas de futebol. O ensaio propõe-se a refletir sobre o paradoxo de o Brasil ser reconhecido mundialmente como o “país do futebol de homens”, ao mesmo tempo em que historicamente marginaliza e negligência o futebol praticado por mulheres no país. O enfrentamento dessas desigualdades exige o reconhecimento do trabalho das atletas, a valorização de suas demandas e a construção de políticas que promovam equidade, visibilidade e oportunidades reais para o crescimento do futebol de mulheres.
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