O papel do profissional de educação física na promoção do desenvolvimento infantil em crianças com tea: relato de experiência sobre intervenções domiciliares no contexto do projeto multicampi -UFPA
Por Dais Cardoso dos Santos (Autor), Carla Isabel Paula da Rocha de Araujo (Autor).
Em XX Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
Este relato de experiência é fruto do estágio no projeto Multicampi realizado na Estratégia Saúde da Família (ESF) Souza, em Belém-PA. Trata-se de um projeto da Universidade Federal do Pará (UFPA), que segundo o edital Nº 01/2024, refere que o Programa de Capacitação em Atenção à Saúde da Criança - Multicampi Saúde da Criança - 2020/2024 da UFPA envolve preceptores atuantes nos serviços do SUS, equipes multidisciplinares com estudantes de cursos da área de saúde e tutores docentes, organizados a partir de 13 cursos de graduação dos campi Belém e Castanhal, com foco na integração entre ensino, pesquisa e extensão (UFPA, 2024). Um dos objetivos consistia em realizar intervenções domiciliares junto a crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Foram visitadas duas crianças (identificadas como crianças guias): uma de 8 anos (suporte 3) e outra de 5 anos (suporte 2) – visando estimular habilidades motoras, cognitivas e sociais, além de orientar as famílias sobre as práticas corporais mais adequadas e hábitos vida saudáveis. A metodologia adotada foi de natureza qualitativa, prática e participativa, com visitas domiciliares realizadas em três encontros por criança. Nessas visitas foram aplicadas tecnologias pedagógicas adaptadas, incluindo jogos, exercícios e atividades lúdicas. Além disso, foram realizadas entrevistas com os responsáveis de forma que pudéssemos compreender as rotinas e as necessidades das famílias, o que ajudou na elaboração de uma cartilha (entregue no último encontro). Este material reuniu informações práticas sobre alimentação, redução do tempo de tela e estímulo às atividades físicas no contexto familiar. Os resultados apontaram progressos iniciais nas habilidades motoras e cognitivas das crianças, mesmo com o curto período de intervenção. A criança de 8 anos apresentou avanços na coordenação motora fina, como maior precisão em atividades de traçado e modelagem, enquanto a de 5 anos mostrou melhoria na habilidade de arremesso e maior controle da força muscular. Ambas demonstraram aumento no engajamento e na concentração durante as atividades. As famílias relataram maior conscientização sobre a importância de práticas saudáveis e receberam orientações para dar continuidade às intervenções no cotidiano. A conclusão evidencia a relevância do profissional de Educação Física (EF) dentro do contexto da atenção primária à saúde da criança, em especial através do trabalho em equipes multiprofissionais. A atuação em visitas domiciliares permitiu intervenções personalizadas que fortaleceram o vínculo com as famílias e ofereceram suporte direto ao desenvolvimento infantil. O trabalho ressalta a necessidade de políticas públicas que ampliem a presença de profissionais de EF no Sistema Único de Saúde (SUS), promovendo práticas corporais como parte essencial do cuidado integral. Apesar das limitações enfrentadas², o estágio representou uma experiência enriquecedora, destacando o impacto positivo da EF na promoção da saúde e no apoio às crianças com TEA. Assim, o presente trabalho tem como objetivo relatar e analisar a experiência de intervenções domiciliares realizadas com crianças diagnosticadas com TEA, destacando as atividades propostas, os resultados alcançados e o papel do profissional de EF no estímulo ao desenvolvimento infantil e no suporte às famílias.