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Toda desclassificação na Copa do Mundo é dolorosa, razão pela qual, desde domingo que o torcedor brasileiro murmura: “Meu mundo caiu”. E, por conta de uma rivalidade que não se explica, ontem, a torcida verde e amarela passou a secar a Argentina no jogo com o Egito, válido pelas oitavas de final do Mundial em curso. Teve gente que invocou até o espírito de Ramsés II, para que o grande faraó iluminasse Mohamed Salah e companhia no épico confronto com Messi, o semideus do futebol que vem escrevendo uma página memorável, pontuada com números recordes, na sua última Copa.

Os filhos de Osíris estavam iluminados. Salah e seus companheiros jogavam com a raça do exército da rainha Cleópatra. Gol do Egito! O goleiro, Mostafa Shobeir defende um pênalti batido por Messi. O time africano ocupa os espaços com acerto, marca com precisão. A Argentina sofreu o segundo gol, fato que nos levou a crer que estávamos testemunhando a construção do mais dramático dos tangos, para emoldurar o crepúsculo de um semideus do futebol.

Sabemos que a bola tem seus caprichos e impõe castigos, mas os deuses do futebol são justos e generosos. Eles não deixariam que a crueldade imperasse na despedida de quem, durante anos, foi tão soberano dentro das quatro linhas. O tempo avançava. O relógio parecia seguir a dinâmica do jogo. Mas Messi não precisava de muito para, mais uma vez, encantar o mundo com sua genialidade. Um cruzamento preciso e Romero marca o primeiro gol argentino. Salah e companhia ficaram assustados. Logo em seguida o artilheiro aproveitou um rebote e empatou o jogo. Nos minutos de acréscimo acontece o terceiro gol de uma virada histórica, com a assinatura do gênio. Messi chora. Missão cumprida em mais um passo dado rumo ao olimpo do futebol. E os argentinos gritaram em coro uníssono: “Faltam três!”. Afinal, quem tem Messi pode sonhar com feitos que só os deuses são capazes de fazer.

08/07/26 às 03H00 atualizado em 08/07/26 às 03H00

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