O "território intrigante" do xadrez: prospectando uma proposição às infâncias
Por Daniel Evangelista Sales (Autor), Kleber Tüxen Carneiro (Autor).
Em XXI Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
Historicamente, o xadrez consolidou-se no imaginário coletivo como um artefato cultural de distinção social, operando como uma 'redoma de cristal intelectual' que segregava a aristocracia das demais camadas da sociedade. Essa representação, perpetuada pelo silêncio austero e por protocolos de conduta rígidos, erigiu uma barreira simbólica cujos ecos ainda reverberam na contemporaneidade. Cientes disso, elaborou-se uma proposição de ensino cujo teor se pavimenta em três postulados epistemológicos: o xadrez em sua dimensão de materialidade lúdica; as infâncias enquanto núcleos produtores de cultura; e o processo de apropriação de saberes voltado à formação humana, sob os auspícios de uma linguagem brincante. Logo, esta comunicação científica objetiva retratar resultados (preliminares)que averiguaram os efeitos formativos da referida proposta, desenvolvida numa instituição de educação não escolar de um município de Minas Gerais, dedicada à proteção social básica de infâncias expostas a vulnerabilidades.Metodologia: A investigação alicerçou-se em uma abordagem qualitativa, sob o escopo de um delineamento narrativo. Compõem o estudo 25 crianças, cujas idades variam entre 9 e 11 anos, escolhidas em virtude da frequência e do engajamento com a proposição pedagógica dedicada ao ensino enxadrístico (CAAE: 90120925.6.0000.5148). Quanto ao teor da proposição, estrutura-se sob uma matriz que articula Eixos Epistemológicos e Blocos Temáticos, totalizando 50 encontros formativos. Para o tratamento analítico dos dados, entremearam-se os registros dodiário de campo e as transcrições dos depoimentos infantis; com efeito, a exegese dos dados engendrou três eixos interpretativos, segundo os preceitos da triangulação como método.Resultados: O xadrez, ao tornar-se inteligível e acessível, operou como uma experiência de restituição. As crianças não apenas se apropriaram de um novo saber, mas reconheceram, na própria subjetividade, as potencialidades de aprender. De modo que não foi apenas o universo enxadrístico que se expandiu: foi o próprio sujeito que sedeslocou em relação às suas fronteiras internas