Resumo
Esta dissertação apresenta o estudo sobre a realidade objetiva e subjetiva dos ,trabalhadores com (d)eficiência física na área rural. A pesquisa desenvolveu-se na área ,do Abiai, nos Projetos de Assentamento Nova Vida, Teixeirinha e Primeiro de Marçoligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e nos Projetos de ,Assentamento Apasa e Sede Velha, ligados à Comissão Pastoral da Terra (CPT)município de Pitimbu, litoral sul da Paraíba, Nordeste do Brasil. Buscou-se conhecer as ,condições materiais de existência dos trabalhadores com (d)eficiência física, levando-se ,em conta seu acesso aos direitos fundamentais como: trabalho, assistência à saúde e à ,reabilitação, educação, bem como, as formas de relações com a família, a comunidade e ,os movimentos sociais. Em relação à realidade subjetiva, investigamos que análise os ,trabalhadores com (d)eficiência física fazem de sua situação, quais seus sonhos, projetos ,e modos de atuar.A fim de atingir estes objetivos, utilizamos as técnicas e instrumentos ,da metodologia qualitativa: observação participante e entrevistas. Os resultados ,mostraram que os trabalhadores com (d)eficiência física participaram nas diversas ,formas de lutas utilizadas para conquistar a terra e, posteriormente, para garantir melhor ,situação de vida na área do assentamento. As condições de trabalho, educaçãotransportes, assistência à saúde são precárias para todos os trabalhadores que residem na ,área do Abiai, de forma mais aguda para os trabalhadores com (d)eficiência.As pessoas ,portadoras de (d)eficiência física no Abiai são trabalhadoras, sim, mas não estão ,conseguindo servir ao sistema capitalista como trabalhadores diretos, ficando só nas ,condições de reprodução da força de trabalho. Percebemos que nas representações da ,família, da comunidade, dos movimentos sociais e das pessoas com (d)eficiência física ,permanecem bem presente a idéia preconcebida de deficiência como conseqüência da ,relação com o sobrenatural, seja por predestinação, castigo por pecados, possessão ,diabólica e, ainda, a visão utilitarista da pessoa que entende deficiência como ,disfuncionalidade. No meio deste emaranhado, entretanto, está despontando uma nova ,mentalidade, na qual a pessoa portadora de (d)eficiência é vista como diferente. Deficiência/diferença, que não é sinônimo de inferioridade, e sim, de riqueza e ,versatilidade.