Orientações curriculares e a diferença na escola e na educação física
Por Roseli Belmonte Machado (Autor).
Resumo
Nossas escolas, cada vez mais, povoam-se pela existência e permanência da diferença, advindas de movimentos em prol da inclusão. Ao mesmo tempo, vivemos um tempo em que as orientações curriculares, embora em expansão, podem estar enfraquecendo as ações e investimentos na desejada vertente de uma educação qualificada para os diferentes sujeitos que hoje constituem a escola. As orientações curriculares que chegam às escolas a fim de direcionar o trabalho a ser desenvolvido, por vezes, não são capazes de abarcar a multiplicidade do cotidiano escolar, trazendo preocupações a docentes, supervisores pedagógicos e direções escolares. Ademais, é preciso compreender que, dentro de um Estado Neoliberal em que vivemos, promover a inclusão no contexto educacional integra essa lógica de funcionamento em que é preciso que todos estejam no jogo econômico (Foucault, 2008a), embora vivendo diferentes papéis e, na maioria das vezes, subsistindo de modo excludente. As demandas das minorias parecem ser reconhecidas, mas não vêm acompanhadas da efetiva garantia de direitos. Importa refletir o quanto as políticas curriculares, que se direcionam à escola, também fazem parte do arcabouço neoliberal que se espraia pelo tecido social.