Resumo

Ao longo dos anos tem sido observado um aumento da participação de crianças e jovens em programas de iniciação esportiva, demandando dos treinadores a utilização de diferentes métodos de ensino para o desenvolvimento das competências esportivas. De maneira análoga, observa-se que os métodos de ensino ativos (que consideram o jogador como elemento central do processo de ensino-aprendizagemtreinamento - EAT) ganham cada vez mais espaço no âmbito dos jogos esportivos coletivos (JEC), em detrimento do método tradicional (cuja proposta consiste no ensino fragmentado e descontextualizado dos elementos do jogo), com destaque à importância do treinador ao longo desse processo. Porém, observa-se que a busca por um provável rendimento faz com que seja habitual a inserção cada vez mais precoce em programas de treinamento específicos, seja pela busca de resultados esportivos ou pela manutenção dos parâmetros de saúde. Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi verificar os motivos para a especialização de goleiros de handebol, a partir dos discursos de treinadores experientes. Foram entrevistados seis treinadores que atuam há 18 (±5,9) anos e possuem resultados expressivos em âmbito Estadual. As entrevistas foram tabuladas e analisadas de acordo com o método do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). Os resultados apontam que o principal motivo para a especialização é o fato de ser uma posição diferenciada, exigindo trabalhos mais específicos desde idades mais precoces. Os treinadores destacaram a importância de fazer com que o jogador compreenda que ao longo da prática da modalidade ele estará em situações diferentes das outras posições. É requisitado um conjunto de técnicas específicas que divergem das exigidas dos jogadores de linha e de capacidades como o tempo de reação, a flexibilidade e a agilidade, destacadas pelos entrevistados. Ao goleiro deve ficar claro (na opinião dos treinadores) que a modalidade tem um caráter diferente do futebol, principalmente pelo fato de que na partida de handebol os gols acontecem com maior frequência, o que deve ser visto como algo comum e aceitável pelos jovens, mas nem sempre visto com bons olhos pelos iniciantes. Entendemos, portanto, que embora o processo seja realizado em idades mais precoces o indivíduo deve ser submetido a diferentes formas de ensino, pautando-se no prazer proporcionado pelas atividades e no desenvolvimento de competências gerais e específicas. Assim, deve ser objetivada uma participação ampla e duradoura dos jogadores em atividades de cunho esportivo, buscando evitar processos de especialização esportiva precoce, mas que os conduza à flexibilidade do comportamento tático.

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