BILHAR

Por: Delzuite Dantas Brito Vaz e .

Atlas do Esporte do Maranhão.

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BILHAR

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

DELZUITE DANTAS BRITO VAZ

1822 Ainda nesse ano Eleutério Varela, um dos proprietários do Teatro União – fundado em 1817 - (hoje, Arthur Azevedo) mandava publicar, na sessão de avisos: “Quem quizer arrendar a Salla do Theatro da Silva Lopes Varella co-proprietário do mesmo desta cidade, com hum bilhar, e seus pertences, fale com Eleutherio Theatro”. (O CONCILIADOR,  22 de junho de 1822).

1825 É o Censor - Garcia de Abranches - que relata a existência de um outro bilhar, quando de um passeio por São Luís do Maranhão, ao retornar do exílio a que fora submetido: “Depois de examinar outros edifícios novos e bem formados, também de puças, que aquella praça goarnecem; voltei pela praia grande, e quaze o fundo da calçada divizei noutra rua sobre o lado esquerdo huma formoza caza de cantaria fina com uma larga baranda na frente em mea lua ao gosto da Corte, que me dissero ser de Faustino Antônio da Rocha, e que havia ganhado o jogo aquelle chão a hum herdeiro lá das Perguiças, o que  eu não pude crer; e que ainda conservava hum bilhar e hum botequim de que elle se não desprezava, por não ser tolo, e que também era puça, e que não uzava de vara e covado por pertencer á classe de liquidos...". (O CENSOR MARANHENSE, no. 2, sábbado, 5 de fevereiro de 1825, p. 29).

1836 é publicado aviso n’ ”O Investigador Maranhense “em que era colocado à venda “um bilhar novo com todos os seus pertences”; os interessados deveriam se dirigir à “esta Typographia que se dirá quem vende”. (O INVESTIGADOR MARANHENSE, no. 24, Sexta-feira, 29 de abril de 1836, p. 96). Em julho, na edição do dia 15, (n. 115, p. 180), é publicado novo aviso.

1836 Para VIEIRA FILHO (1971), desde 1836 havia um bilhar funcionando junto ao Largo do Carmo, conforme informa o autor da "Breve história das ruas e praças de São Luís". Por essa época, os moradores se recolhiam cedo, pois a cidade mal iluminada e sem vigilância noturna, não oferecia a menor margem de segurança, de sorte que o toque de recolher às nove, era quase desnecessário: "apenas na botica do padre Tezinho, no largo do Carmo, onde havia um bilhar francês, restavam alguns cavaquistas renitentes.”(VIEIRA FILHO, 1971, p. 16) . A botica do Padre Tezinho de há muito funcionava em São Luís. Garcia de ABRANCHES (1980) anunciava, em 1826,  que os números anteriores de "O Censor" poderiam ser adquiridos naquele estabelecimento. (O CENSOR MARANHENSE, no. 10, sábbado, 25 de fevereiro de 1826). DUNSHE DE ABRANCHES (1931) em seu festejado “a Setembrada”,   refere-se à Botica desse Padre, relatando as reuniões que ocorriam - como era de hábito - à porta desse estabelecimento, como a ocorrida na noite de 6 de setembro de 1822.

187? Dunshee de ABRANCHES (1941), em suas memórias, lembra que o "Velho Figueiredo, o decano dos fígaros de São Luís" (p. 155), mantinha em sua barbearia um bilhar. Este estabelecimento funcionava, a princípio, na rua Formosa e depois foi mudada para o Largo do Carmo, onde: "ahí que se reuniam os meninos do Lyceo depois das aulas, e, às vezes,  achavam refúgio quando a polícia os expulsava do pátio do Convento do Carmo por motivos de vaias dadas aos presidentes da Província e outras autoridades civis e militares. Essas vaias era quasi diárias...". (p. 157).

1902 - O "Café Richie" se constituiu em outro centro de difusão do bilhar, o que justifica a existência de "bons de taco" nos clubes depois fundados. Localizado no Largo do Carmo esquina com o Beco da Pacotilha, Lino Moreira, seu proprietário - cunhado do governador Newton de Barros Belo - promovia reuniões de caráter esportivo, sempre com início às 18 horas, estendendo-se até às 22: "CAFÉ RICHIE - é quem possue melhores qualidades de bebidas vindas diretamente da Europa. Neste café existem três bilhares, onde se podem a vontade gosar boas partidas. Aviam-se com presteza todos os pedidos e prima pelo asseio. Largo do Carmo". (JORNAL DO COMMÉRCIO, Sexta-feira, 1º de janeiro de 1907, p. 3). Faziam-se apostas, valendo caixas de cerveja, de charutos, licores, e outros prêmios, destinados a motivar as jornadas. Bilhar e chope - predominava o da "Cervejaria Maranhense", de  firma Chaves, Cristino e Cia, ao preço de 200 réis o copo - identificavam-se com as  apostas.  Não era permitido a presença de menores: "Havia dois preços para o tempo do bilhar: 1$000 (um mil réis) a hora, nos turnos diurnos e 1$400 (um mil e quatrocentos réis) nos turnos noturnos. Eram assíduos freqüentadores: T. Matos, João Vital de Matos, Adolfo e Artur Paraíso, J. C. Fernandes, Costa ferreira, Manoel Barros, Fran Pacheco, e N. Jansen e outros apreciadores do bilhar.

1904 Em dezembro, era fundado em São Luís o Clube Euterpe Maranhense, funcionando a princípio no Palacete que pertenceu ao Comendador Leite - pai de Benedito Leite -, na rua Formosa - onde por muitos anos funcionou a redação de "O Imparcial". Seu objetivo era "derreter o gelo", quebrar a monotonia então dominante na cidade, proporcionar um centro onde a sociedade pudesse reunir-se numa grande família (MARTINS, 1989). Idealizado por um grupo de jovens de nossa melhor sociedade, tinha como dirigente máximo Paulino Lopes de Sousa, contando, ainda, com a participação de Altino Quarto de Mourão Rego (sic), Orfila Machado Cavalcanti, Pedro Leão Viana e Joaquim Alves Júnior (MARTINS, 1989, p. 241). Promoviam-se festas dançantes, conferências, debates, com os membros do chamado "Clube dos Novos" utilizando-se de seus salões para  apresentarem suas idéias. Como esporte, jogava-se o bilhar, pois o clube dispunha de um magnífico salão de recreação, com os apetrechos adquiridos na França. Realizavam-se torneios, que monopolizavam a juventude, destacando-se os irmãos Artur e Adolfo Paraíso, João Neves.

1915 quando o futebol maranhense mergulhou em série crise, quase paralisando de vez, o bilhar ganhou um grande impulso." (MARTINS, 1989, p. 243)    Foi Lino Moreira quem idealizou o "tempo de graça" - quem perdia ficava na obrigação de pagar o tempo de jogo.

DÉCADAS DE 1930 EM DIANTE o bilhar sobreviveu em alguns bares da cidade, mas em torneios organizados. Atualmente, em alguns clubes esportivos mantém-se mesas para sua disputa, com organização de torneios internos, como acontece no Grêmio Lítero Recreativo Português, AP-CEF, AABB, SESI Clube, e em alguns bares localizados na Avenida Litorânea.

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