Resumo
Há muito tempo o pular corda vem sendo executado pelas pessoas, por crianças em suas brincadeiras ou por atletas no treinamento desportivo. O interesse em estudar o pular corda é, além do fato de ser considerado um comportamento universal que emerge desde a infância, uma oportunidade única de estudo em uma intricada relação entre percepção e ação nos padrões de coordenação do movimento humano. A aquisição de padrões complexos de coordenação motora, como o pular corda, é um desafio para os estudiosos do desenvolvimento motor, pois criança sincroniza o momento de saltar em relação à trajetória da corda. Na busca de resposta a esta indagação, este estudo objetivou investigar o padrão de coordenação do pular corda em função da idade (7/8 (F1), 11/12 (F2) e 18/25 (F3) anos ) e do gênero dos participantes. Participaram deste estudo trinta e seis (36) indivíduos, sendo seis (6) sujeitos do sexo masculino e seis do sexo feminino de cada uma das faixas etárias. A tarefa consistia em realizar seqüências de saltos até completar a somatória de no mínimo trinta (30) saltos na freqüência preferida pelo sujeito, sendo a corda batida pelo próprio participante. Duas câmeras digitais foram utilizadas para registro das imagens e marcadores passivos foram fixados na corda e nas articulações do tornozelo (maléolo lateral), do joelho (epicôndilo lateral do fêmur) e do quadril (trocânter maior) para obtenção de dados sobre a altura do salto e da corda, ângulo da articulação do joelho e fase relativa contínua. Análises de variância gênero (2) e faixa etária (3) foram feitas com as variáveis dependentes fase relativa e desvio angular da fase relativa, altura máxima do salto, altura máxima da corda, ângulo e desvio angular da articulação do joelho na máxima flexão da fase de vôo. Os resultados relativos à Fase Relativa Contínua (FRC) indicaram haver diferença na relação espaço temporal corda-salto entre as crianças menores (F1= 199,20 º) e os adultos (F3= 171,05º), valores estes não diferentes do apresentado pelas crianças maiores (F2= 175,62º). A altura do salto da F3 (18,19 cm ) foi maior que a da F1 (14,11 cm) e da F2(13,07cm). O ângulo da articulação do joelho da F3 (94,05º) foi maior que o da F1 (55,91º) e o da F2 (72,50º), e menor variabilidade foi observada para a idade adulta (3,84º) em relação às crianças (6,63º e 7,01º respectivamente). De modo geral, os resultados sugerem que: 1) o padrão do saltar está diretamente relacionado com a altura da corda e com o acoplamento espaço temporal; 2) quanto menor a altura do salto, maior a flexão do joelho; 3) menor a idade dos participantes, maior a variabilidade e menor a estabilidade do ângulo da articulação do joelho; 4) diferentes níveis de desenvolvimento motor, diferentes padrões no saltar; 5) diferenças de gênero não levam necessariamente a diferenças no desempenho.