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A música brasileira é pródiga no elogio à Natureza, e de forma especial aos pássaros. Chico Buarque, Tom Jobim, Luiz Gonzaga são apenas alguns dos nomes que se encantaram por elas e as transformaram em versos brilhantes.
Asa Branca, Assum Preto, Sabiá, Beija-flor, João de Barro, Andorinha...O encantamento que as aves proporcionam na vida das pessoas, e o seu significado em relação aos sentimentos já foram decantados e cantados em diversos ritmos, para públicos heterogêneos, unindo baião, bossa nova, funk, etc., e assim, chegando a diversas tribos.
São até protagonistas de uma forma de lazer e turismo que não agride a Natureza - a observação de aves. Pode ser feita nas cidades, nos campos, nas florestas, em qualquer lugar. Demandam horas de paciência e observação silenciosa à espera do encantamento e do prazer que os cantos, as penas, as cores, as formas provocam.
Mas além disso como propagadoras de sementes e polinizadoras de plantas, contribuem para o equilíbrio de pragas e insetos, e são bandeiras ecológicas pelos seus sons e pela sua beleza de penas. Assim, tornam-se excelentes indicadores de qualidade ambiental, e os dados referentes a elas podem ser utilizados para subsidiar a elaboração de Relatórios de Sustentabilidade, e servir de base para estudos de Gestão, Impacto e Desempenho Ambiental.
Como sinais de saúde dos ecossistemas não é de se estranhar que estejam em perigo quando toda a Terra está.
Isso pode ser observado no nosso cotidiano, mas é também corroborado pela Ciência. O periódico Nature Ecology & Evolution, em artigo assinado por um trio de pesquisadores informa e analisa que a crise climática, com calor extremo, provocou uma diminuição de cerca de um terço das aves tropicais, nos últimos anos, se considerada a sua trajetória normal.
As aves, e outros animais, tiveram que conviver, nas últimas décadas, cerca de dez vezes mais com dias de calor extremo, nas zonas tropicais, cada região entre 1940 e 1970, a incidência dessas condições nas áreas tropicais aumentou cerca de dez vezes nas últimas décadas. Mas, as aves que são animais de “grande sensibilidade à desidratação e ao estresse térmico”, sentem tudo isso de modo mais caótico ainda.
Proteção e preservação das florestas são fundamentais, mas não bastam mais. Seria necessário enfrentar o problema pela raiz, principalmente se pensarmos na biodiversidade tropical. E a raiz do problema está na emissão de gases dos combustíveis fósseis que esquentam a Terra de forma contínua e crescente.
Não basta mais que os Pássaros se defendam da caça predatória, e que pintassilgos, pintarroxos, metros e uirapurus, fiquem de bico calado e tomem “cuidado que o homem vem aí”, como em Passaredo.
Nós, que causamos isso por ação direta ou por omissão precisamos nos posicionar se quisermos conviver com a variedade e beleza das aves, tão importantes para a preservação do planeta Terra. O posicionamento requer manifestação e ação. E isso é imperativo agora. Nós, não podemos ficar de “bico calado”.