“Pedagogia da oprimida”: uma autoetnografia inspirada em Paulo Freire
Por Luciana de Oliveira Nunes (Autor), Fabiano Bossle (Autor).
Resumo
Este resumo expandido objetiva apresentar a pesquisa sobre o meu aprender de professora de educação física, que culminou com a defesa de uma “Pedagogia da Oprimida”, em dezembro de 2024. Trata do tema das aprendizagens que eu produzo e compartilho na cultura da escola de Educação Básica onde atuo, numa Rede de Ensino pública. A problematização do conhecimento delimitada foi: como o aprender vivido na experiência autoetnográfica e inspirado na leitura de Paulo Freire se desvela no/pelo corpo consciente da professora de Educação Física? Foi realizada uma autoetnografia na escola onde atuo na condição de professora do componente curricular educação física. A apropriação progressiva do desenho teóricometodológico da autoetnografia e das leituras das obras de Paulo Freire possibilitaram compreender o desafio sugerido por este autor, de propor-se a si mesma como problema (Freire, 2019). Os procedimentos de produção das informações foram os registros das experiências cotidianas em cinco diários autoetnográficos, que possibilitaram a construção de narrativas autoetnográficas/autobiográficas e a descrição a partir de reflexões e discussões sobre/com o aprender em Paulo Freire. Na perspectiva em que fui desdobrando as reflexões e discussões, apontei, dentre estas particularidades, o exercício de acessar a condição evocativa. Foi através das narrativas autoetnográficas/autobiográficas que fui desvelando, na cultura, as várias estruturas do meu eu. Nas palavras de Pelias (2015, p.388, tradução livre) identifico, portanto, a particularidade fundante da minha experiência autoetnográfica que, em Paulo Freire, é vivida no corpo e com o corpo – “ Escrevendo sobre mim, eu falo a partir do corpo. [...] Eu sou meu corpo falando”. Na medida em que eu fui compreendendo melhor as tramas resgatadas pelas memórias e pelas experiências de mulher, professora e pesquisadora, também fui reconhecendo uma condição de empoderamento que potencializa meus posicionamentos críticos, portanto, políticos de perceber e fazer Ciência.