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PREFÁCIO

Colocamos o pé na estrada no ano de 2005 e, de lá para cá, andamos por quase todo o Brasil espalhando a ideia de tornar o esporte acessível a todas as pessoas e uma ferramenta de educação para uma vida digna. Essa tem sido a história da Caravana do Esporte, um dos projetos do Instituto Esporte e Educação, que já mobilizou perto de 400 mil crianças de 178 municípios brasileiros e participou da formação de aproximadamente 30 mil professores e professoras das redes municipais.

Neste livro compartilhamos nossa experiência com crianças, adolescentes, professores e professoras de nosso país. Contamos como fazer para dar aulas para grandes grupos de alunas e alunos, às vezes, mais de três mil em três dias de práticas nas oficinas da Caravana, além dos grupos de professores e professoras, quase sempre acima de cem pessoas em cada cidade.

O que fazemos nas práticas das diversas oficinas da Caravana do Esporte para crianças e adolescentes, todas as professoras e todos os professores de boa vontade podem fazê-lo, com adaptações, em suas escolas e centros esportivos dos municípios. Basta respeitar os princípios norteadores do esporte educacional e atender a alguns princípios pedagógicos orientadores das práticas lúdicas. De acordo com o Instituto Esporte e Educação, os princípios do esporte educacional são os seguintes:

Inclusão de todos – Se não puderem participar todos, então, para nós, não é esporte educacional. Se as crianças não conseguem passar uma bola por sobre a rede de voleibol, então que abaixemos a rede e usemos bolas mais leves. Se o aro de basquetebol for muito alto, basta que o tornemos mais baixo e mais largo. E que as bolas sejam mais leves. O importante é que as crianças possam se sentir realizadas fazendo sextas, passando bolas para o outro lado da rede, marcando gols, equilibrando-se nas fitas de slackline e assim por diante. Se uma criança for cega, temos que criar jogos em que ela possa participar com os videntes, se for cadeirante, nossa criatividade tem que contemplar seu desejo de fazer esporte. Para nós da Caravana, adolescente é aquela pessoa capaz de criticar, de planejar, de sugerir ações. Nas oficinas da Caravana ele será ouvido, ele fará parte do planejamento, ele será sempre incluído de acordo com seu modo de sentir e pensar.

Diversidade – Todas as pessoas são diferentes umas das outras. Algumas diferenças são mais acentuadas e, infelizmente, vítimas de preconceitos. O esporte educacional não comporta exclusões por qualquer diferença. Ao contrário, as diferenças são bem-vindas, são enriquecedoras.

Construção coletiva – No esporte educacional, criança ou adolescente sempre participam da construção das aulas. Tanto participam com críticas e sugestões no início da aula, como durante e ao seu fim. Professoras e professores devem ficar sempre atentos à palavra dos alunos.

Autonomia – Um cidadão autônomo é aquele capaz de participar do mundo em que vive tomando iniciativas orientado por sua consciência e pela ética de preservação da vida social, da natureza e do planeta. Porém, não educamos para a autonomia fazendo discursos sobre esse tema para nossos alunos. O exercício da cidadania autônoma é feito durante as práticas dos jogos. Eles a exercem no esporte educacional percebendo que todos são incluídos, que não são vítimas de preconceitos e que são livres para participar da construção das aulas, além, é claro, do desenvolvimento de suas habilidades para praticar esportes.

Educação integral – A aula termina e algo deve restar para a vida fora das quadras, campos, piscinas. O que define o que vai da aula de esporte educacional para a vida é o método. O método deve orientar uma prática de intensa participação dos alunos, que devem construir juntos, devem resolver problemas, envolver-se em conflitos para aperfeiçoar o modo de jogar, entre outras possibilidades. Essa participação ampla no desenvolvimento da aula pode gerar tomadas de consciência e compreensões suficientes para que os alunos levem para fora de suas práticas elementos que sirvam à vida em família, no convívio com amigos, na formação profissional e na solução de problemas futuros. No esporte educacional não se trata de aulas só para aprender a praticar esportes, mas também para aprender a praticar cidadania.

Esse é o esporte educacional divulgado pelo Instituto Esporte Educacional na Caravana do Esporte. Nossa satisfação é perceber que o esporte educacional, tal como o definimos e praticamos, consegue tratar criança como criança e adolescente como adolescente. Fazemos isso exigindo que o esporte vire criança e adolescente, e não o contrário. A Caravana do Esporte, portanto, leva para suas oficinas um esporte criança e adolescente. Queremos que um dia a educação escolar, de modo geral, olhe para experiências como a nossa e entenda que é possível praticar com seus alunos uma educação criança e adolescente.

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