Percepção da qualidade de vida e saúde mental de enfermeiros em unidades de atenção primária à saúde
Por Juan Candido Carvalho (Autor), Jéssica de Oliveira da Silva (Autor), Livia Hackbart Moreira (Autor), Bianca Lacchine Paula (Autor), Rayane Cristina Faria de Souza (Autor).
Resumo
Avaliar as percepções subjetivas e os escores instrumentais relativos à qualidade de vida (QV) e à saúde mental, integrando relatos e medidas padronizadas.
MÉTODOS: Estudo exploratório, com abordagem quali-quantitativa, realizado com enfermeiros atuantes em unidades básicas de saúde de um município do Espírito Santo. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas audiogravadas, e aplicou-se individualmente a versão brasileira do WHOQOL-BREF. As entrevistas foram analisadas segundo a técnica de Análise de Conteúdo de Bardin, enquanto os escores do WHOQOL-BREF foram calculados e transformados em uma escala de 0 a 100 pontos por domínio.
RESULTADOS: Participaram 15 enfermeiros, predominantemente do sexo feminino (86,66%), na faixa etária de 45 a 54 anos (46,66%) e com tempo de atuação superior a 10 anos (66,66%). A média geral de QV foi de 65,00 pontos, com maiores escores nos domínios físico (77,14 pontos) e relações sociais (77,77 pontos), e menor no domínio meio ambiente (73,80 pontos). Nos relatos, 73,33% mencionaram prejuízos à saúde mental, 66,67% relataram negligência em relação à saúde física e 46,67% apontaram vida social limitada. Experiências de estresse e cansaço foram frequentes; contudo, a família, a espiritualidade e o apoio entre colegas destacaram-se como fontes de suporte.
CONCLUSÕES: Identificaram-se prejuízos à saúde mental, à saúde física e ao lazer, com destaque para o menor escore no domínio do meio ambiente. Família, espiritualidade e suporte profissional emergiram como fatores protetores. Os achados reforçam a necessidade de melhorias nas condições de trabalho e de ações direcionadas ao cuidado da saúde mental desses profissionais.