Resumo
O trajeto de casa até a escola desempenha um papel crucial no cotidiano das crianças, influenciando sua autonomia, saúde e bem-estar. Compreender as experiências desses deslocamentos é fundamental para promover uma mobilidade mais ativa e saudável entre os escolares. O objetivo desta pesquisa é investigar a percepção de barreiras e facilitadores para o deslocamento ativo para a escola em crianças. Compreender os elementos que influenciam essa prática pode informar políticas e intervenções voltadas para a promoção de hábitos de deslocamento mais saudáveis e sustentáveis entre os escolares. Este estudo adota uma abordagem qualitativa e descritiva, buscando explorar em profundidade as experiências das crianças no contexto de seus deslocamentos para a escola. A pesquisa qualitativa permite uma compreensão rica e contextualizada das percepções, atitudes e comportamentos das crianças em relação à mobilidade ativa, enquanto a natureza descritiva do estudo visa identificar padrões e tendências relevantes dentro dessa temática específica. Participaram do estudo 24 crianças de escolas e bairros diferentes localizados no município de Florianópolis no ano de 2023. Foram realizados grupos focais com os escolares, com o objetivo de explorar as percepções e experiências dos escolares em relação ao deslocamento ativo para a escola, abordando temas como barreiras, facilitadores, preferências e sugestões para melhorar a mobilidade. Para analisar as falas dos estudantes foi utilizada a análise de conteúdo da Bardin. Para a caracterização e apresentação da amostra do estudo foi realizada estatística descritiva, por meio de frequências absolutas e suas porcentagens. A amostra continha estudantes entre 9 e 12 anos, sendo respectivamente 58,3% meninas e 41,7% meninos, todos frequentando o quinto ano do ensino fundamental. Em relação as características de deslocamento para a escola pelos escolares, a maioria possui veículo automotor em casa, incluindo carro e moto (70,8%), porém realizam o deslocamento a pé todos os dias da semana (54,2%) foi predominante. O tempo de deslocamento ativo superior a dez minutos ficou limitado a 47,1%, uma vez que a maioria destes residem próximo da escola que estudam. Além disso, apenas 45,8% dos escolares percebem a pavimentação nas ruas ao realizar esse trajeto. Em relação ao olhar dos escolares para as barreiras e facilitadores destaca-se como facilitador: presença de natureza, companhia dos amigos, casa bonita, mercadinhos, segurança, beleza; as barreiras relatadas foram ausência de calçadas, mato, ausência de transporte público, água escorrendo, falta de segurança, buracos na rua. Sendo assim ao desenvolver este tema deslocamento ativo dentro do contexto escolar, busca-se não apenas descrever as percepções das crianças, mas também gerar insights que possam subsidiar a formulação de estratégias direcionadas a promover deslocamentos mais saudáveis e sustentáveis entre os jovens em idade escolar.