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Se fosse humano ele seria considerado “low profile”, e provavelmente não teria redes sociais. Não que seja tímido. Essa não é uma de suas características. Há uma diferença entre seu viver discreto e a timidez. Adota a simplicidade como forma de viver. Se tivesse perfil nas redes sociais, provavelmente não seria aberto, mas restrito a pessoas mais chegadas, que superam barreiras para desfrutarem da sua beleza peculiar. Não gosta de expor sua vida, muito menos de forma excessiva. Também não se importaria com número de seguidores, “likes”, etc. Prefere ser apenas observador, de forma pouco ou nada chamativa.
Ele é o “periquito de testa azul”, que chegou a ser considerado “perdido”, por não dar as caras, pelo menos para olhos humanos, por quase noventa anos, nas terras altas do Monte Kapalatmada, em Buru, na Indonésia.
Esquivo, por esse tempo todo era apenas reconhecido em registros fotográficos antigos, de museus, embora a esperança de observá-lo in loco nunca tenha sido perdida para algumas pessoas.
Depois de uma longa jornada de escalada por um difícil terreno montanhoso, suas cores deslumbrantes foram vistas no pico mais altos, pelos aventureiros que se dispuseram a avistá-lo.
Este periquito é endêmico, e não pode ser encontrado em nenhuma outra região, além do Buru. Os desbravadores captaram primeiramente o seu som agudo, usado para comunicação no topo das árvores, e depois fizeram os registros fotográficos.
As notícias de jornais descrevem o periquito com corpo verde brilhante, bico laranja, nuca azul e cauda pontiaguda.
A jornada de busca foi empreendida pelo movimento “Busca por Aves Perdidas, do grupo de conservação American Bird Conservancy. Segundo um dos seus líderes, acreditava-se que o periquito sumido, estava se concentrando em áreas mais altas, e o difícil acesso, por falta de água, terreno de calcário, com penhascos, e picos pontiagudos, pode ser creditado como causa para o seu desaparecimento aos olhos humanos.
O avistamento e os registros coroaram anos de pesquisa, leitura e planejamento do grupo, em busca da ave, classificada como espécie com dados insuficientes e integrante da Lista vermelha de organismos internacionais de conservação de espécies animais.
Serão necessários mais estudos para determinar o tamanho da população dos periquitos e suas possíveis ameaças para que se tracem estratégias de proteção ambiental.
Seus “re-descobridores” disseram que todo o esforço valeu muito a pena pela beleza e importância dos registros. Um deles declarou à imprensa que “este pequeno papagaio verde já estava aqui muito antes de os humanos pisarem a ilha, tal como os pássaros que vivem no seu jardim em casa – eles têm mais direito de estar aqui do que você ou eu”.
Que o periquito de testa azul continue sendo “LOW PROFILE”, mesmo sem saber o que significa ser assim, pois isso contribui para não atiçar a cobiça predatória humana. E que as palavras do pesquisador maravilhado com a beleza da sua redescoberta, motivem todos nós a cuidarmos da vida animal do nosso planeta, discreta ou exuberante em formas, cores, sons, que se recolha ou se exiba orgulhosamente, acessível ou remota, começando pelos nossos jardins, mas não ficando restritos a eles.