Integra

“Flores para quando tu chegares
Flores para quando tu chorares
Uma dinâmica botânica de cores
Para tu dispores pela casa ..........

Pelos cômodos, na cômoda do quarto
Uma banheira repleta de flores
Pela estrada, pela rua, na calçada
Flores num jardim ..........

Flores pra compores
Metáforas antes de comê-las

.........
Flores, quantas flores forem necessárias
Pra perguntares pra que tantas flores...”

Flores - Marcelo Diniz / Fred Martins

Símbolos do amor, as flores e plantas são ofertadas por amantes, admiradores, fãs, amigos e familiares. Podem denotar devoção de santos, de mestres, de artistas. Têm formas, tamanhos, cores e odores variados. São vistas em lares, velórios, casamentos, nos templos, em túmulos, em homenagens etc.  Por serem tão ecléticas provocam sentimentos diferentes, de amor, de amizade, de repulsa, e outros mais.

Encantam também metaforicamente em poemas, músicas, peças de teatro, no cinema, nas artes em geral.

Demonstram acolhimento, aconchego e alteram qualquer ambiente, com sua paleta de cores inusitadas e vibrantes.

Mas sobretudo, flores demonstram e envolvem cuidado para que floresçam, por quem dá e quem recebe diretamente, ou indiretamente, de modo democrático no campo, ou vendo-as em jardins, nas praças públicas, nos parques.

Cultivar flores também demonstra o cuidado com a Natureza, pois elas servem de apoio a animais polinizadores.  E nesse sentido, mais recentemente a procura por flores cultivadas de modo sustentável tem aumentado, embora a transparência no setor permaneça limitada. Procuram-se flores ecologicamente corretas, mas como identificá-las?

Seu processo de produção envolve uso de defensivos naturais, fertilização orgânica, rotação de culturas, manejo integrado de pragas e doenças, uso eficiente da água, e entre outros, a escolha de variedades como gérbera, petúnia, cravo africano, lavanda, lírio da paz, apenas para citar algumas.

A probabilidade é maior se procurarmos flores e plantas cultivadas nas proximidades, pois têm menos conservantes do que aquelas que enfrentam maior tempo de transporte; ou de época, que não requerem estimulantes artificiais de crescimento fora do calendário normal; ou se forem simples na forma, uma vez que as altamente modificadas precisam de suporte não natural; ou pela presença de aroma, pois as que não têm fragrâncias, passam por tratamento químico.

O setor de flores apesar de toda beleza, nem sempre é tão limpo quanto parece e envolve tratamento com veneno que não só as contamina, mas também os empregados que as cultivam em estufas, e o meio ambiente, em culturas mais extensas e intensivas.

Se escolhidas próximas aos locais de plantio e livres de pesticidas, o seu consumo ou fruição pode contribuir para reduzir o impacto ambiental da produção e distribuição. Alia a melhora da biodiversidade e a beleza viva.

Moro próximo de um dos principais locais de produção do Brasil, que além do mercado nacional, exporta para vários países – a cidade de Holambra. Muito pequena, tem uma cooperativa iniciada por holandeses. Graças a beleza das flores de vários tipos, que planta, inova e comercializa, ganhou projeção nacional, principalmente devido a EXPOFLORA, exposição anual que tem várias atrações, incluindo visita as plantações, uma experiencia inesquecível.

É claro que a escolha de flores sempre carrega emoção, e ela não é afetada quando se procuram aquelas mais orgânicas, cultivadas de modo natural, de consumo consciente, de responsabilidade pela nossa a saúde e do planeta.

Além disso pode-se cultivá-las em casa, em jardins ou vasos, com iluminação e regas adequadas, melhorando esteticamente os ambientes, e propiciando mais saúde e bem-estar.  Algumas delas tem também a capacidade de purificar o ar. além de absorverem dióxido de carbono e liberarem oxigênio, através da fotossíntese.

Pois é, não é apenas fora de casa que o ar está mais poluído.  Segundo o engenheiro agrônomo Marcos Estevão Feliciano, foi comprovado, pela NASA que algumas plantas também podem remover compostos orgânicos voláteis presentes no nosso dia a dia.  Ainda de acordo com o agrônomo, algumas plantas e flores têm mais capacidade de fazer isso. Entre elas ele cita crisântemo, lírio da paz, dracena, espada de São Jorge e samambaia.

Você pode continuar desfrutando de flores/ plantas em sua beleza e significados e, além disso, contribuir com um ambiente mais saudável para todos nós, e um futuro mais sustentável. Mesmo que individualmente a parcela possa ser pequena para o volume do agronegócio entre nós – o que exige a mesma atenção com o meio ambiente na alimentação, no transporte e em outros setores. Para o conjunto da sociedade, além de belas as pétalas e folhas podem também demonstrar sua consciência ecológica.

Assim, talvez você não fique mais constrangido quando alguém perguntar “Pra que tantas flores?”, como na letra em epígrafe.

Quanto a mim já no outono da existência, prefiro as “pétalas e folhas conscientes” em vida.  Fico com os versos de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito:

“... Me dê as flores em vida. O carinho, a mão amiga, para aliviar meus ais. Depois que eu me chamar saudade não preciso de vaidade, quero preces e nada mais...”.