Resumo

Praticar atividade física insuficientemente é considerado um fator de risco para o acometimento de doenças crônicas não transmissíveis. Esse comportamento apresenta distribuição diferente entre grupos populacionais, revelando disparidades regionais e sociais no Brasil. Objetivo: Identificar as iniquidades da prática insuficiente de atividade física entre os sexos ao longo do início do século XXI no Brasil. Métodos: Trata-se de um estudo epidemiológico observacional de corte transversal realizado com o uso de dados secundários de acesso aberto do Repositório de Dados de Iniquidades em Saúde disponíveis no Monitor de Iniquidades em Saúde da Organização Mundial da Saúde. Foram observados dados do Brasil, de 2001 até 2022. Resultados: Os dados apontam que as desigualdades em atividade física persistem, principalmente entre mulheres, tendo 30,9% de prática insuficiente de atividade física na população em geral em 2001 (masculino – 29,3%; feminino – 32,5%) e 40,9% em 2022 (masculino – 35,7%; feminino – 45,8%) (IC 95%: 32,4% - 59,9%). Conclusão: A redução de iniquidades no acesso e prática de atividade física necessita do investimento em vigilância e monitoramento de desigualdades, bem como do fortalecimento de ações intersetoriais. É essencial que políticas públicas considerem determinantes sociais de saúde e possibilitem ambientes equitativos e mais ativos.

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