Resumo

As práticas corporais, articuladas com os conceitos de Clínica Ampliada e território, emergem como possibilidades potentes para a construção de intervenções humanizadas na saúde. Essas práticas transcendem uma visão biomédica e fragmentada, assumindo papéis culturais, sociais e históricos no contexto comunitário (Bagrichevsky et al., 2013; Mendes; Carvalho, 2015). Manske (2022) aborda essa perspectiva ao destacar que as práticas corporais não se restringem ao movimento físico, mas abrangem dimensões simbólicas, afetivas e relacionais, tornando-se espaços de produção de sentidos e subjetividades. A Clínica Ampliada propõe uma mudança na lógica do cuidado em saúde, deslocando o foco da doença para o sujeito em sua totalidade e para os modos de vida que o constituem, considerando os vínculos, os afetos, os saberes e os contextos locais como parte da produção do cuidado (Mendes; Carvalho, 2015). Nesse movimento, as práticas corporais se tornam dispositivos estratégicos no campo da saúde, não apenas por sua dimensão físico-biológica, mas também por sua potência de mediação simbólica, expressão cultural e produção de subjetividades (Carvalho, 2010).

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