Preditores da percepção do ambiente construído associados com o alcance dos 150 minutos por semana de atividade física no tempo livre
Por Jean Lucas Rosa (Autor), Gabriel Peinado Costa (Autor), Átila Alexandre Trapé (Autor), Inaian Pignatti Teixeira (Autor), Rita de Cássia Ribeiro Carvalho (Autor).
Em XX Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
A promoção da prática de atividade física (AF) é uma estratégia fundamental para melhorar a saúde populacional e está relacionada a, pelo menos, 12 pontos do Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Portanto, é importante tentar estabelecer modelos que elenquem quais características do ambiente percebido influenciam AF no tempo livre. Objetivo: Identificar o perfil de pessoas fisicamente ativas, a partir da percepção do ambiente construído. Procedimentos metodológicos: O estudo envolveu pessoas adultas residentes em Passos-MG. Com base em imagens de satélite, delimitou-se a área de estudo, numerando segmentos de rua e lotes de forma crescente no sentido horário. Foram sorteados 2 lotes residenciais por segmento e, em cada lote, selecionou-se um morador. As entrevistas ocorreram por telefone. O nível de AF no tempo livre foi avaliado pelo Questionário Global de Atividade Física (GPAQ) (considerou-se o ponto de corte de 150 min/sem de AF no tempo livre) e a percepção do ambiente pelo NEWS-Brasil adaptado. Utilizou-se o algoritmo de decision tree da técnica de machine learning (pacotes rpart e rpart.plot em R) para identificar as variáveis associadas com o alcance dos 150min/sem de AF no tempo livre. Resultados: Foram incluídos 112 participantes e o modelo atingiu acurácia de 92,9%, com 4 perfis de pessoas que possuem maior probabilidade de alcançar os 150 min/sem de AF no tempo livre, uma meta recomendada para o cuidado em saúde. Perfil 1: Pessoas de classes socioeconômicas B1 e C2, que percebem seu bairro como limpo e bem iluminado, mas têm preocupações com a criminalidade, percepções variadas sobre o tráfego e variabilidade no tempo de deslocamento entre casa e trabalho/escola. Perfil 2: Pessoas que percebem seu bairro com bom acesso à diversão e com boas escolas, mas têm percepções variadas sobre segurança ao atravessar ruas, iluminação noturna e tráfego, além de uma estrutura de calçadas que nem sempre é bem definida. Perfil 3: Pessoas que percebem seu bairro como relativamente bem iluminado e com tráfego moderado, mas têm opiniões variadas sobre a segurança das faixas de pedestres e a separação das calçadas, além de um acesso incerto ou limitado a vias expressas e rodovias. Perfil 4: Pessoas que têm percepções variadas sobre a qualidade das calçadas, que podem ser bem cuidadas em algumas áreas e menos em outras, e sobre com incertezas sobre a velocidade do tráfego ser baixa. Conclusão: Os resultados demonstram que diferentes perfis quanto às percepções do ambiente do entorno estão associados com o alcance dos 150min/sem de AF no tempo livre, uma meta recomendada para o cuidado em saúde. Esses resultados estão alinhados com os ODS, em especial o ODS3 (Saúde e Bem-estar), ao demonstrar como aspectos do ambiente influenciam escolhas saudáveis. O impacto da qualidade da infraestrutura do bairro também se relaciona ao ODS11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) e ao ODS13 (Ação contra a Mudança Global do Clima), evidenciando a importância de ambientes urbanos planejados para facilitar a prática de AF.