Resumo

A síndrome da fragilidade caracteriza-se por um défice de força muscular e decréscimo da função fisiológica. Evidências do sul da Europa indicam uma prevalência de fragilidade de 69% e pré- fragilidade de 28% em idosos residentes em Estruturas Residenciais para Idosos (ERPI). Contudo, dados sobre a prevalência de fragilidade em idosos portugueses residentes em ERPI são escassos, significando que são necessários mais estudos. Objetivos: Quantificar a prevalência de fragilidade e comparar os níveis de capacidade funcional de acordo com os diferentes estados de fragilidade em idosos residentes em ERPI. Metodologia: Noventa e oito idosos (65 mulheres; 84.8 ± 9.0 anos; 1.51 ± 0.09 m; 65.0 ± 13.0 kg) residentes em ERPI participaram no estudo. Os critérios de Fried avaliaram os estados de fragilidade (frágil: 3-5 critérios; pré-frágil: 1-2 critérios; robusto: 0 critérios). A Short Physical Performance Battery (SPPB) avaliou a capacidade funcional (equilíbrio, caminhada, levantar da cadeira). A prevalência foi calculada através da divisão do número de casos pelo número total da amostra. A análise de variância simples (One-way ANOVA), com testes post hoc Bonferroni, foi utilizada para comparar as diferenças entre os estados de fragilidade nos resultados da SPPB. Resultados: A prevalência de fragilidade, pré-fragilidade e robustez foi de 61%, 34% e 5%, respetivamente. As mulheres apresentaram maior prevalência de fragilidade (43% vs. 18%) e préfragilidade (21% vs. 12%) do que os homens e menor robustez (2% vs. 3%). Relativamente aos critérios de Fried, 86% dos indivíduos apresentaram fraqueza, 76% baixo nível de atividade física, 72% lentidão, 24% exaustão e 2% perda de peso não intencional. Testes post hoc indicaram diferenças nos resultados da SPPB entre indivíduos frágeis vs. pré-frágeis (2.2 ± 2.2 vs. 7.3 ± 3.2; p < 0.001), frágeis vs. robustos (2.2 ± 2.2 vs. 10.8 ± 0.8; p < 0.001) e pré-frágeis vs. robustos (7.3 ± 3.2 vs. 10.8 ± 0.8; p = 0.02). Conclusões: Idosos portugueses residentes em ERPI apresentam uma prevalência de pré-fragilidade e fragilidade semelhante a idosos de outros países do sul da Europa. Além disso, os resultados sugerem que a SPPB permite discriminar entre idosos pré-frágeis, frágeis e robustos.

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