Promoção da saúde e atividade física num mundo em envelhecimento: Uma reflexão sobre estratégias e desafios globais
Por António Manuel Fonseca (Autor).
Resumo
À medida que a população idosa global continua a aumentar, constituindo uma proporção cada vez mais significativa da população, surgem desafios e abordagens únicas, quer em nações desenvolvidas quer em nações em desenvolvimento. Este artigo examina o papel da promoção da saúde na otimização da qualidade de vida, com ênfase na atividade física e exercício, especialmente em populações idosas. Projeções demográficas para 2050 indicam um aumento substancial na população idosa global, destacando a urgência de abordar as implicações dessa mudança demográfica. A Tailândia destaca-se como um dos países que está a envelhecer rapidamente, com projeções a indicarem que, até 2040, 26% da sua população terá 65 anos ou mais, conferindo-lhe o estatuto de uma sociedade “super-envelhecida”. Por sua vez, Portugal, onde em 2023 os indivíduos com 65 anos ou mais já constituíam 24% da população, já alcançou esse patamar de “super-envelhecimento”. Este fenómeno demográfico é acompanhado por uma tendência global de insuficiente atividade física, com implicações negativas para as populações mais jovens e mais velhas. Logo, à medida que as sociedades envelhecem, a necessidade de abordar os desafios decorrentes da inatividade física torna-se ainda mais premente. A promoção da saúde centrada na atividade física e exercício emerge como uma medida crucial para mitigar as adversidades associadas ao envelhecimento global. Alguns desafios na formulação de estratégias globais de promoção da saúde incluem variações culturais, dicotomias entre individualismo e coletivismo, atividades formais versus informais e promoção da saúde intergeracional. Este artigo defende programas de promoção da saúde baseados em evidências e culturalmente sensíveis como ferramentas cruciais para enfrentar os obstáculos multifacetados associados ao envelhecimento global. Por outras palavras, estudos transculturais devem centrar-se na nossa compreensão não apenas da relação entre atividade física, exercício físico, saúde e qualidade de vida, mas também da medida em que existem semelhanças globais na promoção da saúde, em comparação com a necessidade de considerar variações culturais