Promoção da saúde mental: perspectivas da psicologia do esporte
Por Afonso Antonio Machad (Autor), Bruna Feitosa de Oliveira (Autor), Fernanda Jardim Maia (Autor), Carita Pelição (Autor), Renan Silva Gomiero (Autor).
Resumo
Este estudo analisou a atuação de 39 psicólogos do esporte das regiões Sul e Sudeste do Brasil, com foco em suas práticas, desafios e contribuições para a promoção da saúde mental no contexto esportivo. Tradicionalmente centrada na maximização do desempenho, a Psicologia do Esporte tem ampliado seu escopo, valorizando o cuidado integral do sujeito e reconhecendo a saúde mental como pilar do desenvolvimento atlético e humano. A partir de entrevistas semiestruturadas, os profissionais relataram uma valorização crescente da dimensão subjetiva dos atletas, com ênfase na escuta ativa, na criação de vínculos e no fortalecimento de habilidades psicológicas como autoconfiança, controle da atenção e regulação emocional. Contudo, foram identificadas barreiras significativas à consolidação de uma prática mais humanizada, como o estigma associado ao sofrimento psíquico, a resistência de técnicos e dirigentes, e a falta de políticas públicas e estrutura institucional. A atuação dos psicólogos, frequentemente restrita a situações emergenciais, é marcada pela fragmentação e baixa integração com outras áreas das equipes esportivas, dificultando intervenções preventivas e de longo prazo. O estudo destaca a importância de fortalecer a formação crítica e multidisciplinar dos profissionais, alinhando-se a autores como Machado (2011), Balbinotti (2005), Balaguer (2002) e Fiorese (2012). Reforça-se a necessidade de políticas públicas que garantam a presença estruturada desses profissionais em clubes, escolas e projetos sociais. Assim, a Psicologia do Esporte afirma-se como um campo essencial para a promoção da saúde mental, contribuindo para a formação de sujeitos mais críticos, autônomos e saudáveis no esporte e na vida.