Resumo
O objetivo deste estudo foi propor um modelo de utilização de resultados de análises bioquímicas e hematológicas como marcadores práticos de respostas orgânicas, no processo de treinamento desportivo. Através da revisão das literaturas especializadas em educação física e análises clínicas, constatou-se que, na primeira, há uma preocupação dos treinadores no controle das cargas, as quais, quando excessivas, podem provocar lesões nos atletas. Enquanto na segunda, existe um grande acervo de exames cujos resultados permitem antever ou diagnosticar diferentes lesões no organismo. A combinação desses fatores possibilitou a proposição de trinta e três análises para monitorar as possíveis lesões resultantes do treinamento desportivo. Para testar a eficiência da proposta relação de análises, foi feito um acompanhamento contínuo, durante três anos, de quatro maratonistas de nível internacional, sendo três homens e uma mulher, com idade média de 29,5 anos +/- 3,7. Os resultados deste trabalho constituíram na organização das análises em seis grupos, os quais foram sistematizados em quadros sintéticos, visando a auxiliar na interpretação que conduz a diagnósticos relacionados à atividade física. O modelo proposto atendeu às expectativas de avaliar os efeitos das cargas físicas ao longo dos programas de treinamento, no organismo dos atletas. Além disso, o emprego contínuo das medidas bioquímico-hematológicas revelou um elevado número e tipos de lesões que o treinamento físico pode produzir, justificando uma necessidade ainda maior de sua utilização por parte dos técnicos.