Protagonismo feminino na Ginástica Rítmica no Amazonas: trajetórias, resistências e construção histórica
Por Nayana Ribeiro Henrique (Autor), Lionela da Silva Corrêa (Autor), Michele Viviene Carbinatto (Autor).
Em XXI Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
A trajetória da Ginástica Rítmica (GR) no Amazonas caracteriza-se por um desenvolvimento marcado pelo protagonismo feminino e por desafios sociogeográficos, consolidando-se como prática cultural e esportiva articulada ao contexto escolar e às políticas nacionais, com destaque para a influência dos Jogos Escolares Brasileiros (JEB's). O objetivo deste trabalho é analisar a implementação, consolidação e expansão da GR no Amazonas, destacando marcos históricos, agentes envolvidos e transformações técnico-institucionais ao longo do tempo. Trata-se de um estudo qualitativo, de enfoque sócio-histórico, baseado em narrativas orais de ginastas, ex-ginastas, técnicos, professores e membros da Federação Amazonense de Ginástica, participantes das manifestações gímnicas no Amazonas, tanto em seus primórdios quanto na atualidade. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFAM (parecer nº 75448523.2.0000.5020). Os achados indicam que a GR no Amazonas teve início em 1973, no Instituto de Educação do Amazonas, sob liderança da Profa. Dra. Artemis de Araújo Soares, com posterior institucionalização por meio da Federação Amazonense de Ginástica em 1978. A década de 1980 foi marcada pela expansão e massificação da modalidade, apesar de limitações estruturais, a partir da luta de mulheres. Nos anos 1990, observa-se avanço técnico decorrente de intercâmbios e inserção de treinadoras internacionais, ampliando a participação em competições nacionais e internacionais. A partir dos anos 2000, consolida-se uma estrutura mais organizada, com clubes, centros de treinamento e destaque de atletas como Bianca Maia, além da ampliação do acesso por meio de projetos sociais. Conclui-se que a trajetória da Ginástica Rítmica no Amazonas é marcada por resistência, protagonismo feminino e construção coletiva, evidenciando a superação de desafios logísticos e estruturais. Atualmente, técnicas, árbitras e dirigentes mantêm vínculo direto e duradouro com a modalidade, integrando-a às suas dimensões social, esportiva e pessoal. Dessa forma, seguem contribuindo ativamente para a continuidade e o fortalecimento dessa história.