Quando estamos jogando, estamos sendo - um elogio ao esporte no chão da escola.
Por Andreza Rodrigues Marreiros de Sousa (Autor), Katia Rubio (Autor).
Resumo
O presente estudo propõe uma reflexão crítica sobre o esporte praticado no contexto escolar, que não necessariamente está relacionado a uma forma sistematizada do componente curricular Educação Física. Partindo da constatação de que o esporte na escola é frequentemente instrumentalizado – reduzido a uma ferramenta para desenvolvimento motor, rendimento físico ou disciplina -, esta pesquisa busca tensionar essa lógica utilitarista, propondo um olhar que reconheça o esporte como fenômeno cultural, social e humano. A partir da concepção de que o esporte é uma das manifestações do jogo, entende-se que sua vivência na escola carrega potencial educativo, simbólico e experiencial que não pode ser negligenciado. Como tentativa de resgatar experiências que valorizam o esporte como vivência significativa no contexto escolar, destaca-se o pioneirismo dos Parques Infantis da cidade de São Paulo, criados a partir da década de 1930 como ações voltadas à ocupação do tempo livre de crianças e adolescentes no contraturno escolar – esses espaços, concebidos como ambientes educativos integrados, representaram uma proposta inovadora ao aliarem o brincar, o esporte, o lazer e a formação cidadã em uma perspectiva de educação integral, antecipando debates contemporâneos sobre o papel da escola para além dos conteúdos formais. Para isso, adota-se uma abordagem qualitativa, utilizando a etnografia como método de aproximação ao campo – através da observação participante e do uso do diário de campo, foram registradas as minhas vivências durante os jogos das Olimpíadas Estudantis. Observou-se diversas nuances que diferiram entre os jogadores: entre aqueles mais novos, observei que os estudantes demonstram maior brilho nos olhos, principalmente pelo ineditismo daquela experiência; já os mais velhos, apresentavam uma sensação de pertencimento que os colocavam num compromisso de representar a escola da melhor forma possível. As Narrativas Biográficas foram utilizadas como método de escuta para a realização das entrevistas, iniciadas a partir da pergunta disparadora “me conte sua história”, permitindo que os sujeitos revelassem suas experiências com o esporte em suas próprias palavras. Como instrumento interpretativo dessas narrativas, optei pelo uso das cartas pedagógicas, justamente por sua potência de análise sensível, relacional e comprometida com a escrita ética e afetiva. A partir disso, eu redigi cartas para os colaboradores que buscou dialogar com a história contada, mas principalmente trazer alguns pontos de discussão importantes relacionados ao esporte na escola – nessa parte, busquei dialogar com alguns autores que trataram do tema. A articulação desses caminhos metodológicos visou construir uma leitura do esporte na escola que ultrapasse a lógica da eficiência e do desempenho, possibilitando a emergência de sentidos outros, implicados com a formação humana e com o reconhecimento da riqueza do esporte enquanto prática de vida no chão da escola. Palavras-chave: esporte; educação; esporte escolar; narrativas biográficas; cartas pedagógicas.