Integra

Os horrores da guerra estão espalhados por todo o mundo, e mesmo distantes convivemos com eles, na nossa aldeia global. Não estou falando das guerras econômicas entre países ou das silenciosas que existem internamente, gerando desigualdade, fome, doenças.    Mas falo de guerras mesmo, com armas, lutas sangrentas, ou suavizadas pelas novas tecnologias, e que destroem do mesmo jeito vidas, sonhos, memórias.

E a Natureza também sofre com isso. Flora e fauna são dizimadas e a devastação e poluição invadem áreas gigantescas, com as explosões de bombas e as invasões por terra, água e ar. Contaminam tudo, e os resultados atingem a Ecologia, que para se recuperar leva décadas e mais décadas.

Assim como os humanos a Natureza também se adapta aos horrores da Guerra.

Por incrível que possa parecer, áreas contaminadas por minas terrestres, quando abandonadas por humanos acabam se transformando, não raro, em “áreas de preservação acidentais”, pois as espécies podem se multiplicar, sem interferência da caça, e outras formas de destruição que constantemente fazemos.

E o inferno dos tiros, bombas e caças impulsiona a adaptação de comportamento, recálculo de rotas de imigração, rituais de acasalamento, enfim mudanças da ordem natural das coisas vivenciadas na flora e na fauna,

Mas para mim é mais impressionante, como forma de adaptação da Natureza às guerras, o reaproveitamento do lixo que elas deixam no rastro das suas devastações. Animais reciclam, transformam o lixo em algo novo.

Notícias recentes dão conta que pássaros da Ucrânia estão reciclando materiais de drones, e outros artefatos de guerra, entrelaçando firmemente capim seco e fragmentos de cabos de fibra ótica, por exemplo, para fazer seus ninhos.

Uma bióloga holandesa, especializada em ninhos de pássaros feitos com materiais artificiais ficou espantada com as descobertas, e disse que embora estude o assunto, nunca tinha visto nada parecido.  Vai pesquisar agora que tipo de pássaro está fazendo uso do material.  Assim, os ninhos serão objetos de pesquisa, e pelo menos um deles fará parte do Museu da Guerra de Kiev..

Na imensa devastação provocada pelo horror da guerra o material fica emaranhado em árvores e espalhado por campos e telhados de cidades nas regiões de linha de frente da Ucrânia, brilhando à luz do sol, como teias gigantes, no dizer de um jornalista, chamando atenção das aves, que viram uma nova utilidade para eles.

Os biólogos afirmam que é misto o impacto da fibra ótica sobre os pássaros, representando de um lado, o perigo de ficarem emaranhados e sofrerem danos, e de outro trazendo benefícios na ajuda para fazer ninhos mais resistentes.

O nosso lixo humano, poluindo o planeta todos os dias, em tempos de “paz’ , também poderia ser muito mais bem reaproveitado, do que vem sendo, diminuindo os danos que causamos.

No Brasil, estima-se que apenas quatro por cento do lixo oficial é reaproveitado.

A fauna nos dá mais um exemplo de como nós, animais ditos racionais devemos prestar mais atenção nos outros animais. Focados no que faz sentido, ressignificam e nos ensinam.

Que os ninhos de aço dos pássaros da Ucrânia, sejam uma forma de chamar a atenção para a nossa falta de vontade, de criatividade e de ação, na preservação da Terra, devastada pela Guerra, pela Injustiça, e pelo nosso Comodismo e Falta de Consciência

Apoio