Recreação como técnica: a prática do recreador como forma de conhecimento à luz de heidegger
Por Cleber Mena Leão Junior (Autor), Giuliano Gomes de Assis Pimentel (Autor).
Resumo
Historicamente, a recreação foi compreendida no Brasil como prática acessória ao lazer, reduzida à execução instrumental de jogos e dinâmicas. Essa leitura marginalizou o recreador como mero executor de técnicas, desconsiderando a potência epistêmica e existencial de sua prática. Inspirado pela filosofia de Martin Heidegger, este estudo propõe compreender a técnica recreativa como forma de desvelamento (aletheia), gesto poiético e modo de produção de verdade. Para Heidegger (2002), a técnica não é mero meio para um fim, mas um modo originário de revelação do ser. Aplicada à recreação, essa concepção desloca sua compreensão para o campo da techné originária, em que o fazer do recreador constitui linguagem do Ser. Assim, o artigo parte da hipótese de que a intervenção recreativa é forma autêntica de conhecimento, dotada de lógica própria e dignidade equivalente à episteme científica. Metodologia: Trata-se de investigação qualitativa, de inspiração fenomenológico-hermenêutica, fundamentada no Discurso do Sujeito Coletivo (Lefèvre; Lefèvre, 2003). A amostra foi composta por 9 recreadores com mais de 10 anos de experiência, todos formados pela Escola de Recreadores de Sucesso.