Resumo
Nossa análise tem por objetivo, dentre outros, tentar explicar que Brecht é um intelectual que, antes de qualquer outra coisa, participou ativamente da luta pela construção de uma consciência revolucionária. Neste sentido, podemos dizer que, como homem de seu tempo, buscando dar conta das questões de sua época, ele traduz um compromisso com a educação, ou, o que não é muito diferente, com a História. Foram eleitos alguns de seus textos como objeto de estudo principalmente porque ele apresenta uma proposta alternativa de educação, que não só passa pela escola como opõe-se a ela. Neste procedimento, tomamos distância do entendimento de que a escola formal é “espaço” natural de educação; para nós, o fenômeno é mais amplo e se efetiva no dia-a-dia dos homens, estendendo-se também às instituições. Pontuamos Brecht como um intelectual que, coerente com a posição política que assume nos anos 20 faz do teatro um instrumento de conscientização revolucionária. Partindo da intencionalidade didática que ele próprio explicita em sua obra, organizamos nosso trabalho com base na crítica que ele faz a algumas das instituições capitalistas. Para ele, a função da teoria, como conteúdo da educação, é compreender a prática histórica necessária ao capitalismo desenvolvido, o qual experimenta no século XX contradições tão profundas que lhe dão um contorno específico. O teatro didático de Brecht, onde a teoria se expõe como possibilidade de educação do novo homem, apresenta-se como a alternativa mais viável para formar uma consciência sobre o real significado do Estado burguês e de outras instituições intermediárias da sociedade capitalista, e, também, sobre as possibilidades de um projeto histórico, de uma nova forma de vida.