Resumo
Introdução:o crescimento da prevalência de obesidade representa um problema de saúde pública. Enquanto isso, o desenvolvimento de procedimentos eficazes para promover emagrecimento ainda é um desafio para os conhecimentos científicos da atualidade. Nota-se, em estudos de intervenção, uma limitada capacidade de exercícios, dietas e fármacos para emagrecer e evitar o reganho. Por outro lado, existe uma importante variabilidade nas respostas individuais a procedimentos emagrecedores. Embora o processo obesogênese/emagrecimento seja resultado de fatores genéticos e comportamentais, como dois destes aspectos (a carga de treino adotada em procedimentos visando emagrecimento e a participação genética nas repostas) explica o estado de composição corporal/CC das pessoas é algo ainda pouco investigado. Objetivo: verificar por meio de um estudo correlacional do tipo transversal a relação da carga de treino e polimorfismo no gene PPARy2 (Pro12Ala) com a CC de 335 praticantes (47,9 ± 12,7 anos, sendo 138 homens) de exercícios cíclicos. Métodos: foram mensuradas a carga de treinamento mediante a frequência, duração e velocidade adotadas nos treinamentos e a coleta de células bucais com posterior genotipagem do Pro12Ala por meio da técnica de Comprimento de Fragmentos de Restrição (PCR-RFLP). A CC foi mensurada por bioimpedância elétrica. Utilizou-se o teste de correlação de Pearson para avaliar a relação do gasto calórico diário com a CC, seguido de uma análise de regressão linear múltipla para verificar a influência da idade, nível de atividade física (atividades extra treino) e ingestão nutricional na CC. Para avaliação da influência genotípica, foram realizados teste t independente ou mann-whitney para avaliar diferenças entre os dois grupos de genótipos, seguido de um teste de qui-quadrado para avaliar diferenças entre variáveis categóricas (IMC, RCQ e PGC). O nível de significância adotado foi p<0,05. Resultados: a amostra praticava 6,9±3,0 sessões/semana (119,0 ± 66,5 minutos/sessão), com gasto calórico diário de 427,2 ± 355,3 kcal e ingestão nutricional de 1796,6 ± 657,8 kcal/dia. O teste de Pearson mostrou associação negativa entre gasto calórico diário e IMC (r=-0,23; p<0,05), PGC (r= -0,53; p<0,05) massa gorda (r= -0,37; p<0,05), RCQ (r= -0,31; p<0,05) e gordura visceral (r= -0,38; p<0,05). Entre os homens, a correlação foi mantida (p<0,05) (exceto massa muscular) e entre as mulheres se manteve para PGC e massa muscular (p<0,05). Na análise multivariada, observou-se que idade (31%; 30%) e ingestão nutricional (31%; 39%) são influenciadoras da CC de homens e mulheres, respectivamente. Na análise genética, observou-se que homens Pro/Pro tinham IMC significativamente maior que os Pro/Ala (p<0,05), ocorrendo o mesmo para massa gorda total e gordura visceral (p<0,01). Nas mulheres, as homozigotas Pro/Pro possuíam IMC significativamente maior que as Pro/Ala (p<0,04). O teste qui-quadrado mostrou que homens Pro/Pro mostraram uma distribuição do IMC e PGC significativamente maior (p<0,05; p<0,01, respectivamente) e as mulheres apenas tendência para uma maior distribuição das homozigotas Pro/Pro no perfil mais obeso (IMC e RCQ). Conclusão: a carga de treino e o polimorfismo Pro12Ala se mostraram intervenientes na CC de praticantes de exercícios físicos, mas estes fatores não atuam sozinhos, uma vez que idade e ingestão calórica total também participam como preditoras.