Relação entre a especificidade da instrução verbal e a melhoria da técnica e da performance de nado
Por Inês Borda (Autor), Maria Fonseca (Autor), Marta Novo (Autor), Sofia Correia (Autor), Matheus Pacheco (Autor), Olga Vasconcelo (Autor), Susana Soares (Autor).
Resumo
A qualidade da instrução verbal pode afetar a técnica de nado. Este estudo teve como objetivo analisar o efeito da sua especificidade no nado de crol. Estudantes de desporto (n = 31; 20.77 ± 2.32 anos de idade), sem experiência de competição em natação, foram distribuídos por três grupos: controlo (n = 10), dica (n = 11) e instrução específica (n = 10). O protocolo incluiu três momentos de avaliação da frequência gestual (FG) e do tempo em sprint de 20 metros de crol (partida aos 5m). Primeiro (M1), realizou-se o sprint com a indicação de execução da melhor técnica possível. Após cinco minutos de repouso (M2), os controlos realizaram o sprint sem instrução adicional, o grupo dica recebeu a indicação de nadar reduzindo o número de ações dos membros superiores e o grupo instrução específica recebeu a indicação de nadar com maior amplitude da ação dos membros superiores, focando a componente propulsiva da fase ascendente e a entrada da mão numa posição mais anterior. Duas semanas depois (M3), o sprint foi repetido, conforme a instrução do M2. Os resultados evidenciaram diminuição da FG em M2 e M3 nos grupos dica e instrução específica, sem diferenças entre estes dois momentos. Os valores para os três momentos, dos grupos dica e instrução específica foram, respetivamente: 20.82 ± 0.82, 17.73 ± 0.93 e 18.27 ± 0.86 e 21.40 ± 0.86, 18.10 ± 0.97 e 18.40 ± 1.03. Não houve diferenças no tempo de nado. Concluiu‑se que a instrução verbal, mesmo com graus distintos de especificidade técnica, pode induzir uma redução imediata e mantida da frequência gestual, sem impacto no desempenho temporal em sprint.