Resumo

A prática de uma atividade física (AF) pode ser influenciada por diversos fatores, como socioeconômicos e ambientais. Dessa forma, parece existir uma relação entre o nível de escolaridade da população e a prática regular de AF. Essas reflexões são reforçadas pelas análises realizadas por levantamentos, como o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentando que no geral, as populações com menores níveis de escolaridade são as mais vulneráveis financeiramente e socialmente, o que pode diminuir seu acesso à prática de AF. Objetivo: Verificar se existe relação entre a escolaridade e o nível de AF dos participantes de um projeto de extensão universitária, no momento do ingresso. Métodos: O presente estudo foi realizado com adultos e idosos residentes em Ribeirão Preto-SP, participantes do Programa de AF com Adultos, um projeto de extensão universitária da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EEFERP-USP). A amostra foi composta por 158 pessoas (74% do gênero feminino e idade média de 48,1±9,09 anos). Neste trabalho, os participantes foram distribuídos em dois grupos com base em dois níveis completos de escolaridade: até ensino médio completo (GatéEMcomp) (n=64, incluiu ensino fundamental incompleto e completo, ensino médio incompleto e completo e superior incompleto) e a partir de ensino superior completo (GpósEScomp) (n=94, incluiu superior completo, pós-graduação incompleta e completa). O nível de AF foi verificado através do Questionário Internacional de AF (IPAQ-versão curta). A correlação entre as variáveis foi verificada por meio do teste correlação de Pearson, tratando tanto a escolaridade (anos de estudos) quanto a atividade física (minutos de prática semanal) de forma quantitativa. Para verificar as diferenças entre os grupos, utilizou-se o teste t de Student. O software utilizado foi o JAMOVI, adotando um nível de significância de 5%. Resultados: Não foi encontrada evidência de correlação (p>0,05) entre os anos de estudos e minutos de prática de AF total (r=-0,024), AF moderada (r=0,008), AF vigorosa (r=0,104) e Caminhada Total (r=-0,132). Ao realizar a comparação entre os GatéEMcomp e GpósEScomp, foi encontrada evidência de diferença no total de caminhada por semana (p=0,026), com maior média de minutos no GatéEMcomp (106,8±130,2) em comparação com o GpósEScomp (64,9±91,5). Também no total de minutos de AF vigorosa por semana, foi encontrada evidência de diferença (p<0,001), entretanto com maior média de mintos de prática no GpósEScomp (60,9±98,0) em comparação com GatéEMcomp (26,0±42,2). Não foram encontradas diferenças na AF total e na AF moderada. Conclusão: Ao analisar os tipos de atividades praticadas no momento do ingresso no projeto, pessoas com menor nível de escolaridade despendiam mais tempo em caminhada, talvez pela sua maior praticidade e por não necessitar de infraestruturas complexas. Em contrapartida, o grupo com maior escolaridade apresentou maior prática em AF vigorosa, o que pode estar relacionado à AF no tempo livre/lazer. Nesse sentido, destaca-se a importância de oportunizar mais acesso a possibilidades de AF vigorosa no tempo livre/lazer para pessoas com menor escolaridade, por exemplo por meio de projetos de extensão universitária. 

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