Resumo

A extensão universitária pode conectar academia e sociedade, promovendo saúde e melhorando a percepção de qualidade de vida, enquanto a escolaridade pode influenciar o entendimento e principalmente o acesso à prática de atividade física (AF). Com isso, tem-se como objetivo caracterizar o nível de escolaridade dos participantes de um projeto de extensão universitária de AF e verificar se há associação entre escolaridade e permanência no projeto. O projeto é realizado na Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP-USP). A amostra foi composta por 118 participantes, com idade entre 25 e 68 anos e participação no projeto por pelo menos 6 meses. Utilizou-se a proporção do nível de escolaridade na população como referência esperada, a partir dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2022). A escolaridade foi obtida no momento do ingresso e categorizada seguindo a divisão do IBGE: ensino fundamental incompleto (<Fun); fundamental completo (FunC); médio incompleto (<EM); médio completo (EMC); superior incompleto (<Sup); ou superior completo, incluindo pós-graduação incompleto e completo (≥Sup). Os dados estão expressos em frequência relativa (%). Foi realizado um teste qui-quadrado (χ²) para uma amostra assumindo proporções esperadas a partir da população (IBGE, 2022), e χ² de interdependência para verificar se há associação entre situação no projeto (ativos ou inativos) e escolaridade. Os resultados expressos em [χ²(graus de liberdade), p-valor)]. Utilizou-se o software JAMOVI, assumindo α=5%. É possível observar uma maior proporção de elevado nível de formação no projeto comparado a proporção na população [χ²(5)=63,064; p<0,01] (observado vs. esperado: <Fun = 3,4 vs. 24,8; FunC = 1,7 vs. 0,8; <EM = 4,2 vs. 4,4; EMC = 32,2 vs. 33,5; <Sup = 6,8 vs. 4,3; ≥Sup = 51,7 vs. 25,0). Reduzindo as categorias apenas aos níveis de escolaridade completos, é possível observar associação entre situação no projeto e escolaridade [χ²(4)=13,293; p=0,010]; há maior proporção de pessoas com menor nível escolaridade ativas no projeto e maior proporção de pessoas com maior nível de escolaridade inativas (ativo vs. inativo: ≤Fun = 6,3 vs. 0,0; FunC = 7,8 vs. 3,7; EMC = 37,5 vs. 40,7; SupC = 34,4 vs. 18,5; Pós-graduaçãoCOMPLETA = 14,1 vs. 37,0). Esses resultados sugerem evidências que a proporção dos níveis de escolaridade seja diferente da população do estado de SP, com maior proporção de pessoas com maior escolaridade. Entretanto, vale destacar a associação entre nível de escolaridade e permanência no projeto de extensão, sendo que os participantes com menor nível de escolaridade são os mais ativos no projeto. Conclui-se que o projeto de extensão ao oferecer vagas no contexto da igualdade, predomina a proporção de pessoas com maior nível de escolaridade, entretanto, as que mais permanecem são as pessoas com menor escolaridade. Neste sentido, reforça-se a importância de realizar busca ativa por pessoas de condição socioeconômica mais vulnerável para frequentar o projeto, bem como ações extramuros diretamente no território das Unidades de Saúde, alcançando as comunidades.

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