Relação entre escolaridade e permanência em um projeto de extensão universitária de prática de atividades físicas
Por Agnes Vitorio Colombari (Autor), Gabriel Peinado Costa (Autor), Jean Lucas Rosa (Autor), Júlia Cunha Santos Oliveira (Autor), Letícia Detore Develey (Autor), Átila Alexandre Trapé (Autor).
Em XX Congresso de Ciências do Desporto e de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa
Resumo
A extensão universitária pode conectar academia e sociedade, promovendo saúde e melhorando a percepção de qualidade de vida, enquanto a escolaridade pode influenciar o entendimento e principalmente o acesso à prática de atividade física (AF). Com isso, tem-se como objetivo caracterizar o nível de escolaridade dos participantes de um projeto de extensão universitária de AF e verificar se há associação entre escolaridade e permanência no projeto. O projeto é realizado na Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP-USP). A amostra foi composta por 118 participantes, com idade entre 25 e 68 anos e participação no projeto por pelo menos 6 meses. Utilizou-se a proporção do nível de escolaridade na população como referência esperada, a partir dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2022). A escolaridade foi obtida no momento do ingresso e categorizada seguindo a divisão do IBGE: ensino fundamental incompleto (<Fun); fundamental completo (FunC); médio incompleto (<EM); médio completo (EMC); superior incompleto (<Sup); ou superior completo, incluindo pós-graduação incompleto e completo (≥Sup). Os dados estão expressos em frequência relativa (%). Foi realizado um teste qui-quadrado (χ²) para uma amostra assumindo proporções esperadas a partir da população (IBGE, 2022), e χ² de interdependência para verificar se há associação entre situação no projeto (ativos ou inativos) e escolaridade. Os resultados expressos em [χ²(graus de liberdade), p-valor)]. Utilizou-se o software JAMOVI, assumindo α=5%. É possível observar uma maior proporção de elevado nível de formação no projeto comparado a proporção na população [χ²(5)=63,064; p<0,01] (observado vs. esperado: <Fun = 3,4 vs. 24,8; FunC = 1,7 vs. 0,8; <EM = 4,2 vs. 4,4; EMC = 32,2 vs. 33,5; <Sup = 6,8 vs. 4,3; ≥Sup = 51,7 vs. 25,0). Reduzindo as categorias apenas aos níveis de escolaridade completos, é possível observar associação entre situação no projeto e escolaridade [χ²(4)=13,293; p=0,010]; há maior proporção de pessoas com menor nível escolaridade ativas no projeto e maior proporção de pessoas com maior nível de escolaridade inativas (ativo vs. inativo: ≤Fun = 6,3 vs. 0,0; FunC = 7,8 vs. 3,7; EMC = 37,5 vs. 40,7; SupC = 34,4 vs. 18,5; Pós-graduaçãoCOMPLETA = 14,1 vs. 37,0). Esses resultados sugerem evidências que a proporção dos níveis de escolaridade seja diferente da população do estado de SP, com maior proporção de pessoas com maior escolaridade. Entretanto, vale destacar a associação entre nível de escolaridade e permanência no projeto de extensão, sendo que os participantes com menor nível de escolaridade são os mais ativos no projeto. Conclui-se que o projeto de extensão ao oferecer vagas no contexto da igualdade, predomina a proporção de pessoas com maior nível de escolaridade, entretanto, as que mais permanecem são as pessoas com menor escolaridade. Neste sentido, reforça-se a importância de realizar busca ativa por pessoas de condição socioeconômica mais vulnerável para frequentar o projeto, bem como ações extramuros diretamente no território das Unidades de Saúde, alcançando as comunidades.