Resumo

A capacidade anaeróbia é determinante em provas de natação como as provas de
50m, 100m e 200m. O teste de Wingate é, atualmente, o protocolo mais aceito e
utilizado na determinação da potência e também da capacidade anaeróbia, por outro
lado, mesmo quando realizado em ciclo ergômetro de membros superiores é pouco
específico à característica do nado. A Capacidade de Trabalho Anaeróbio (CTA),
determinada através do teste de Potência Crítica (MONOD & SCHERRER, 1965), tem
tido a sua validade analisada em comparação ao teste de Wingate e ao desempenho
em diferentes modalidades de predominância anaeróbia. Desse modo, o objetivo
deste estudo foi analisar a relação entre a CTA e o desempenho em nado de curta
distância. Participaram deste estudo 10 nadadores com média de idade de 19 ± 3,43
anos, com experiência de no mínimo um ano de treinamento, sem restrição quanto
à prova específica do atleta e integrante de um programa de treinamento de no
mínimo 5 sessões por semana. Os nadadores realizaram 4 testes divididos em 2
etapas, sendo a 1a. etapa a execução de 3 tiros em estilo crawl (100m, 200m e 400m),
realizados no menor tempo possível, respeitando um intervalo mínimo de 24h
entre cada tiro, para a determinação da potência crítica (PC) e da CTA, de acordo
com protocolo proposto por OVEREND et al. (1992) em KOKUBUN (1996). A 2a.
etapa foi a realização de 1 tiro em velocidade máxima, de no mínimo 50m (T50) até
a exaustão para a determinação de desempenho anaeróbio, sendo obtido a distância
total percorrida (DT), o tempo total até a exaustão (TT), a velocidade média nos
primeiros 50 m (V50) e a velocidade média total (VT). Foi realizada a análise de
correlação de Pearson e adotado o nível de significância de 5%. O valor médio
(desvio padrão) encontrado para CTA foi de 23,78 (4,04) m, os valores de
desempenho encontrados foram de 61,50 (4,22) m para DT; 38,01 (4,49) s para TT;
1,64 (0,09) m/s para V50 e 1,62 (0,11) m/s para VT. A análise de correlação apresentou
os seguintes resultados: r= 0,39 (p= 0,27) para a relação entre CTA e TT; r= -0,41
(p= 0,24) entre CTA e VT; r= 0,15 (p= 0,69) entre CTA e DT; r= -0,33 (p= 0,36)
entre CTA e V50. Por outro lado, foi observada correlação significativa entre a
Potência Crítica e as variáveis de desempenho no nado, a qual será objeto de estudo
futuro para explicar esta relação. Pode-se concluir nesta pesquisa que a CTA não é
um bom parâmetro para estimar a capacidade anaeróbia em nadadores.

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